29.1.09
Onde estão as mulheres? Davos 2009. Comentários de Miriam Leitão
Davos 2009: onde estão as mulheres?
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29/01/2009 - 00h52
Morice Mendoza
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Miriam Leitão na CBN
Davos 2009: onde estão as mulheres?
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Uma reportagem da revista Der Spiegel pergunta: onde estão as mulheres de Davos, o Fórum Econômico Mundial? Só se vê homens por lá e é isso que se acontece quando se reproduz o ’status quo’. Alguém pode pensar que é porque as mulheres não estão no comando das empresas e que é preciso chamar os mais influentes, e eles são homens, o que se há de fazer?
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Mas não é bem assim e um bom exemplo disso é a nova equipe de Obama. Ele buscou a diversidade e encontrou mulheres capacitadas. Na equipe que assessora o presidente, existem três gabinetes comandados por homens e nove por mulheres. Ele encontrou mulheres e também negros qualificados. A diferença é que ele buscou isso.
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O que acontece em Davos também acontece nas empresas brasileiras. São poucos os negros e as mulheres nas diretorias. O preconceito é tão enraizado que nem se percebe a discriminação.
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Ouça aqui o comentário na CBN. (exclusivo para assinantes O Globo)
foto: http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/foto/0,,12005445,00.jpg
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Basta dar uma espiada na lista de participantes do Fórum Econômico Mundial, em Davos, na SuÃça, para perceber que as mulheres não estão tendo permissão para assumir o lugar que lhes é de direito nas iniciativas para enfrentar os problemas econômicos do século 21.
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A partir de ontem (28/01), milhares de lÃderes mundiais se reúnem em Davos para o encontro anual do Fórum Econômico Mundial (FEM). Neste ano, o nome do encontro é “Moldando o Mundo Pós-crise”. Embora a organização peça à s pessoas comuns que façam contribuições por meio de vÃdeos no YouTube, só podem participar do evento indivÃduos convidados, em um processo elitista baseado na percepção da importância do indivÃduo.
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Não há dúvida de que as mulheres nunca participaram da parte principal do evento. Foi por este motivo que elas organizaram o seu próprio “Davos” - o Fórum das Mulheres para a Economia e a Sociedade - que ocorre em Deauville, na França, todos os anos.
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Mas a ausência de um equilÃbrio entre mulheres e homens na estrutura de liderança do FEM (que planeja os tópicos a serem discutidos em Davos e toma as decisões finais sobre quem será convidado) sugere que a própria organização não entrou no ritmo do século 21.
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No conselho da fundação, composto de 22 indivÃduos, só há quatro mulheres (18%), e nenhuma mulher faz parte do conselho administrativo, que é responsável pelas operações e pela administração do FEM. Há duas mulheres na diretoria do fundo, que tem dez integrantes (20%), e é responsável pelas áreas especÃficas dentro do FEM. É só nos escalões hierárquicos mais baixos que encontra-se um equilÃbrio mais saudável entre os sexos - 52 % dos diretores são mulheres. Essas pessoas cuidam de áreas de interesse (por exemplo, questões de segurança) e chefiam áreas funcionais como a de contabilidade.
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Perda de talento e perspectiva
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Apenas um dos sete integrantes da vice-diretoria - figuras muito importantes que ajudam a planejar a reunião de Davos - é mulher: Maria Ramos, diretora-executiva da Transnet, uma companhia sul-africana de fretes, ferrovias e oleodutos (Ramos anunciou recentemente que decidiu sair da Transnet, após ter promovido uma melhora da situação da companhia que, segundo ela, era um “órgão estatal destruidor de valores”).
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A ausência de mulheres - e do talento e perspectivas diferentes que elas poderiam trazer para o fórum - reflete-se no próprio evento de Davos. O FEM publicou no seu website uma lista “resumida” dos lÃderes empresariais que participarão do encontro deste ano. Acredita-se que a lista resumida seja uma amostra relativamente representativa da lista completa. Das 81 pessoas citadas, apenas quatro são mulheres - ou menos de 5%.
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Mas por que isso tem importância? Há uma razão extremamente importante, confirmada por uma ampla gama de pesquisas realizadas nos últimos anos por instituições como a McKinsey, o Goldman Sachs, a organização norte-americana de pesquisa Catalyst, e outras, que demonstra que as mulheres representam uma enorme oportunidade econômica perdida.
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Este argumento desdobra-se em três aspectos. Primeiro, as economias beneficiar-se-iam de uma utilização bem melhor das qualificações das mulheres (atualmente elas constituem a maioria da população de maior nÃvel educacional). Desde 2000, as mulheres ocuparam seis milhões dos oito milhões de novos empregos criados na União Europeia, e representaram 59% dos graduados em cursos superiores. Segundo um relatório britânico elaborado em 2006 pela Comissão sobre as Mulheres e o Trabalho, estima-se que aquele paÃs poderia produzir uma riqueza extra no valor de £ 23 bilhões (2% do produto interno bruto) se utilizasse melhor as habilidades das mulheres.
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Negócios melhores
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O segundo aspecto é o fato de várias pesquisas terem indicado que as companhias que possuem mais mulheres nas suas diretorias apresentam um desempenho melhor do que aquelas que contam com um número relativamente pequeno de mulheres em cargos graduados de gerência. Um estudo feito pela Catalyst em 2007 sobre companhias que integram a lista Fortune 500 concluiu que as companhias que possuÃam três ou mais mulheres na diretoria apresentavam um retorno em equity 83% superior ao das companhias que tinham menor representação feminina. Tais companhias tiveram um retorno das vendas 73% maior, e um fantástico retorno de 112% do capital investido.
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Finalmente, de forma geral, as companhias não estão aproveitando a influência crescente das mulheres sobre os consumidores. Nos Estados Unidos, por exemplo, as mulheres são responsáveis por 80% das decisões de compras dos consumidores. Foram criadas várias pequenas agências de marketing - comandadas, geralmente, por mulheres empreendedoras - para ajudar companhias (geralmente dirigidas por homens) a apresentar de forma mais eficaz os seus produtos e serviços ao mercado de consumo feminino. As companhias que recorreram a essa agências obtiveram um aumento do volume de vendas a um custo baixo. Trata-se de um “oceano azul” aguardando ser descoberto.
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Assim, por três excelentes motivos (talento, liderança e mercados), a questão do desenvolvimento de estratégias para aproveitar o talento feminino subutilizado, da elevação das mulheres aos escalões administrativos mais altos e da conquista mais efetiva dos consumidores do sexo feminino deveria estar no topo da agenda em um encontro como o de Davos. Mas, ao que parece, é uma questão que não faz parte do evento. E com certeza não é uma questão abordada no website do FEM. Em vez disso, os especialistas e participantes esperam falar sobre a crise econômica e como sair dela. O que o FEM pode não estar percebendo (além de perder várias centenas de participantes do sexo feminino) é o fato de a oportunidade econômica representada pelas mulheres ser uma forma garantida de sairmos desta crise econômica. Isto não deveria fazer parte da agenda?
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Morice Mendoza é editora do websitee WOMEN-omics
Tradução: UOL
extraÃdo de http://noticias.uol.com.br/midiaglobal/derspiegel/2009/01/29/ult2682u1067.jhtm



criado por Memória Lélia Gonzalez
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Comentário por Ana — 30.6.09 @ 11:29
estamos aqui!
firmes e forte, eu acho…falta muita uniao!
parabens pelo seu blog!
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