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Terreiros capacitam mulheres contra violência - 1
Terreiros capacitam mulheres da periferia do RJ para o trabalho e enfrentamento à violência
30/05/2008 - 17:22

Além da preparação para novas oportunidades de mercado, 345 alunas terão formação em Direitos Humanos e Cidadania para prevenção da violência contra as mulheres no Rio de Janeiro, Nova Iguaçu e São João do Meriti. Programa fortalecerá interação de terreiros tradicionais e lideranças comunitárias
Oportunizar novas possibilidades de trabalho e renda para mulheres da periferia do Rio de Janeiro, Nova Iguaçu e São João do Meriti é um dos objetivos do programa Iyá Àgba de Apoio às Casas de Matrizes Africanas, parceria entre a Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres (SPM), Criola - Organização de Mulheres Negras e os terreiros de matriz africana Omim Ojuaro, Yá Majele O, Ala Koro Wo e Omulu e Oxum - todos dirigidos por mulheres.
A apresentação do programa foi na segunda-feira (02/06), das 9h às 12h, na Capela Ecumênica da UERJ, na capital fluminense. O ato contou com as presenças da ministra Nilcéa Freire, da SPM; de Lúcia Xavier, coordenadora de Criola; e das sacerdotisas dos terreiros participantes do programa.
Cidadania e empreendedorismo
Consagrados centros de referência espiritual e social, as casas de terreiro já desenvolvem trabalhos de inclusão digital, distribuição de cestas de alimentos, ações afirmativas, educação de jovens e adultos. Estão localizadas nos bairros periféricos dos municípios do Rio de Janeiro, Nova Iguaçu e São João do Meriti, onde há grande concentração de população negra e de baixa renda, vulnerabilidade social e altos índices de violência urbana.
O programa marca a parceria entre o governo federal e os terreiros tradicionais do Rio de Janeiro em ação focada na formação de mulheres, especialmente mulheres negras, que habitualmente trabalham como empregadas domésticas ou com comércio de rua e coleta e reciclagem de lixo. Ao todo serão beneficiadas 345 mulheres, com idades entre 17 e 84 anos.
A iniciativa visa a autonomia e independência financeira das mulheres e a tomada de consciência em relação às questões de gênero e raça, direitos humanos, econômicos, sociais, culturais e ambientais, como estabelecem os capítulos Autonomia Econômica e Igualdade no Mundo do Trabalho; o Enfrentamento de Todas as Formas de Violência contra as Mulheres; e o Enfrentamento do Racismo, Sexismo e Lesbofobia do II Plano Nacional de Políticas para as Mulheres (II PNPM).
Terreiros e ação social
No terreiro Omulu e Oxum, localizado no bairro São Mateus em São João do Meriti, serão capacitadas 50 mulheres. Na casa serão ministrados cursos de Culinária e Artesanato - ambos com carga horária total de 88 horas e módulo comum de Direitos Humanos e Cidadania, cujo conteúdo abordará os direitos das mulheres, a situação atual das mulheres brasileiras e os mecanismos de proteção à mulher através de técnicas da pedagogia feminista e anti-racista, e de Empreendedorismo, com conteúdo conceitual e técnicas de comercialização e gestão de negócios.
O curso de Culinária formará as alunas para aquisição de produtos e controle de qualidade de alimentos, preparação de alimentos e manuseio de receitas para públicos diversos, preparação de bebidas afro-brasileiras e técnicas de reaproveitamento de alimentos e produtos. Já o curso de Artesanato ensinará técnicas de pintura em tecido, cestaria, topiaria, pintura em cerâmica, decupagé, craquelê e reciclagem - atenção especial será dada à preservação do meio ambiente através da reciclagem e reaproveitamento de materiais descartáveis.
Força coletiva de trabalho
O Ilê Axé Ala Koro Wo pretende incentivar a participação, fortalecimento das formas coletivas de trabalho e atuação política de 160 mulheres das imediações do bairro da Venda, em São João do Meriti. Orientada por uma pedagogia feminista e anti-racista, a ação será desenvolvida através de oficinas de qualificação para geração de renda, reaproveitamento de alimentos e integração comunitária.
A qualificação profissional está dividida em oficinas de pães, pizzas, lanches e doces e técnicas de gestão de negócios, com 44 horas. A atuação política das mulheres também é um dos pontos a serem trabalhados pela ação, que abordará conteúdos de gênero, raça/etnia, saúde e direitos humanos. Ao final da intervenção, o terreiro Ilê Axé Ala Koro Wo intensificará a relação com a comunidade, a fim de aprimorar o espaço de diálogo das mulheres.
Vivência inter-geracional
Também com projeto focado na expansão de mercado para as mulheres na comunidade, o terreiro Ilê Axé Manjele O preparará 75 mulheres, de 17 a 84 anos, residentes do bairro Água Santa em coleta seletiva, frente coletiva de trabalho e defesa dos direitos das mulheres negras. O curso será aplicado em duas etapas: qualificação em coleta seletiva, reciclagem de lixo, formação do coletivo das catadoras e sensibilização dos moradores do bairro Água Santa para coleta seletiva do lixo na zona Norte do Rio de Janeiro.
Diversidade nos terreiros
Com projeto de intervenção na área de saúde da mulher negra, o Ilê Omim Ojuaro objetiva instrumentalizar 60 mulheres, de 18 a 80 anos, em defesa dos direitos sexuais e direitos reprodutivos com base na cultura afro-brasileira. Sediado no bairro Miguel Couto, em Nova Iguaçu, a casa vem estabelecendo um diálogo inter-religioso com os movimentos sociais, especialmente negro e de mulheres negras, e para a cultura da paz.
As ações estão organizadas em três módulos que tratarão de temas como culturas afro-brasileiras, acolhimento da mulher nas comunidades de terreiros direitos humanos, direitos das mulheres, concepções feministas, anti-racistas e lesbofóbica. O prazo de execução previsto é de 12 meses.
Lançamento do Programa Iyá Àgba de Apoio às Casas de Matrizes Africanas
Data: 2 de junho de 2008, segunda-feira
Horário: das 9h às 12h
Local: Capela Ecumênica da UERJ (Rua São Francisco Xavier, 524) - Rio de Janeiro/RJ


criado por Memória Lélia Gonzalez
23:01 — Arquivado em:
Foi lançado, no último dia 2 de junho, na Capela Ecumênica da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), o Programa Iyá Àgbá de Apoio as Casas de Matrizes Africanas Lideradas por Mulheres.