Memória Lélia Gonzalez Informa

CULTURA, EDUCAÇÃO E INFORMAÇÃO EM AMEFRICANIDADE - // - este Blog está atualizado no endereço http://leliagonzalez-informa.blogspot.com/

24.3.08

Ponciá Vicêncio é dissertação de mestrado, na UFPB

"Ponciá Vicêncio", da escritora afro-brasileira Conceição Evaristo é dissertação de mestrado de Flávia Santos de Araújo, na Universidade Federal da Paraíba.

Trata-se do primeiro trabalho de pesquisa acadêmica sobre a obra desta escritora contemporânea. O título é "Uma escrita em dupla face: a mulher negra em Ponciá Vicêncio, de Conceição Evaristo" e está disponível no site do Domínio Público:
http://www.dominiopublico.gov.br/pesquisa/DetalheObraForm.do?select_action=&co_obra=81804  

Contatos e cumprimentos: Flávia Santos de Araújo - flaviasantos.pb@hotmail.com  

criado por Memória Lélia Gonzalez    22:18 — Arquivado em: Estudos e Pesquisas, Teses USP e outras

19.3.08

Delegacias Especializadas em crimes cibernéticos

Delegacias Especializadas em crimes cibernéticos nos estados:

São Paulo

Divisão Cibercrimes SSP-SP - 4ª Delegacia da DIG/DEIC
Avenida Zack Narchi,152 - Carandiru, São Paulo-SP OBS: perto da antiga detenção do Carandiru, próximo ao Center Norte, estação do metrô do carandiru
Telefone: 0xx11 - 6221-7011 - ramal 208 / 0xx1 - 6221-7030
E-mail: dig4@policia-civ.sp.gov.br  (dig4@policiaSEM-SPAM-civ.sp.gov.br)

Rio de Janeiro

Divisão Cibercrimes SSP-RJ - Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática (DRCI)
Endereço: Rua Professor Clementino Fraga nº 77 - Cidade Nova (prédio da 6ª DP), Rio de Janeiro, RJ
Telefone: 0xx21 - 3399-3203/3200
E-mails: drci@policiacivil.rj.gov.br  (drci@policiacivilSEM-SPAM.rj.gov.br)
/ drci@pcerj.rj.gov.br  (drci@pcerjSEM-SPAM.rj.gov.br)

Minas Gerais

Delegacia Especializada de Repressão a Crimes contra a Informática e Fraudes Eletrônicas - DERCIFE
Endereço: Av. Antônio Carlos, 901 - Lagoinha - Belo Horizonte - MG
Telefone: 0xx31 - 3429-6024 | Horário de Atendimento: 08:30 às 18:30 horas

Distrito Federal

Divisão Cibercrimes SSP-DF - Delegacia Especial de Repressão aos Crimes Tecnológicos (DECAT)
Endereço: SAIS Sudoeste Bloco D Prédio DPE, Brasília, DF, 70.610-200
Telefone: (0xx61) 3234-5481
E-mail: dicat@pcdf.df.gov.br  (dicat@pcdfSEM-SPAM.df.gov.br)

Espírito Santo

Polícia Civil - Núcleo de Repressão a Crimes Eletrônicos (NURECCEL)
Endereço: O Núcleo funciona do edifício-sede da Chefia de Polícia Civil, 2º andar, localizado na Av. Nossa Senhora da Penha, 2290 – Bairro Santa Luiza – Vitória/ES, ao lado do DETRAN.
Telefone: 0xx027 - 3137-9078 ou fax 0xx027 - 3137-9077
E-mail: nureccel@pc.es.gov.br  (nureccel@pcSEM-SPAM.es.gov.br)
WebSite: http://www.pc.es.gov.br/nureccel.asp  

Pará

Polícia Civil - Delegacia Virtual
WebSite: http://www.delegaciavirtual.pa.gov.br  (http://www.delegaciavirtual.pa.gov.br/)

Pernambuco

Polícia Civil - Delegacia interativa
WebSite: http://ww8.sds.pe.gov.br/delegaciainterativa/default.jsp  

Nos Estados da Federação onde não houverem delegacias especializadas, procure a mais próxima da sua residência.

Fonte: http://www.denunciar.org.br/twiki/bin/view/SaferNet/OutrosCrimes

criado por Memória Lélia Gonzalez    13:11 — Arquivado em: Denunciar

18.3.08

Desrespeito a uma cultura milenar

por jpereira — Última modificação 14/03/2008 13:30

Bolivianos rechaçam recomendação da ONU para que se proíba o hábito de se mascar coca e defendem qualidades da planta

Igor Ojeda - Correspondente do Brasil de Fato em La Paz (Bolívia)

Acullicu ou pijcheo. Duas palavras que a Comissão de Entorpecentes da Organização das Nações Unidas (ONU) definitivamente não conhece. Pelo menos não no seu sentido mais transcendente, cultural. Sagrado. Ambas significam o ato de se mascar folha de coca. A primeira é em aymara, a segunda em quéchua, as duas principais línguas indígenas da Bolívia.

Acullicar ou pijchar, no entanto, vão mais além que isso. São um costume de mais de três mil anos dos povos andinos, assim como também são milenares os usos da planta na região. Nas reuniões de sindicatos ou movimentos, em encontros de amigos, em festas, no trabalho nas minas, em rituais religiosos, em tratamentos médicos. Em muitas ocasiões do cotidiano boliviano, a coca ou o ato de mastigá-la está presente como elemento central. Freqüentemente, a bochecha avultada de alguma pessoa acusa o acullicu ou o pijcheo que, além de tudo, estão associados a inúmeros benefícios medicinais e nutritivos.

Pois a ONU, através do informe de 2007 da Junta Internacional de Fiscalização de Entorpecentes (JIFE), entidade colaboradora de sua Comissão de Entorpecente, “exorta os governos da Bolívia e do Peru a adorarem medidas, sem demora, com vistas a abolir os usos da folha de coca contrários à Convenção de 1961, incluída a prática de marcá-la”.

Sustento

A Convenção de 1961 inclui a planta andina em uma lista de entorpecentes proibidos internacionalmente. De acordo com o documento, a mastigação de coca, assim como o consumo de chás ou qualquer outro derivado, tem um impacto no aumento da dependência às drogas na Bolívia que, segundo a entidade, vem aumentando no país.

Desse modo, a ONU pede que, além da proibição ao consumo de coca, o governo adote programas educativos que previnam “a expansão dessa prática aos estudantes e jovens em geral, aos condutores de veículos de transporte público e a outros grupos vulneráveis da população da Bolívia”.

“Esse informe produz um dano grande a nós que cultuamos a coca e acullicamos. Não é a coquita que mata, que envenena. Ao contrário, ela nos dá força para o trabalho. Não podem cortar o acullicu e a coca. Esse é nosso pão, o sustento de nossas famílias. Nós temos todo o direito de nos mantermos, de sobrevivermos. A ONU não pode nos destruir com suas leis que impõem que a coca e o acullicu devem morrer”, revolta-se Pastor Mamani, dirigente da Federação de Chulumani, organização de plantadores de coca da região de Yungas, ao norte de La Paz. “Em seu estado natural, ela não é droga. É uma folha sagrada, milenar”, completa.

Para a nutricionista Maria Eugenio Tenorio, a ONU considera a folha de coca ruim porque “lhe disseram isso há muitos anos”. Segundo ela, existem produtos realmente danosos que não são levados em conta, como o tabaco e o óleo reciclado. “Ninguém sabe, fora dos EUA, que, antes de entrarem nas partidas, os jogadores de futebol americano mascam tabaco. Agora, muito mais prejudicial que o próprio tabaco é o óleo reciclado, cuja permissão de utilização foi dada em 1996 pela Organização Mundial da Saúde. Sabemos que ele causa câncer ao fígado e ao pâncreas”.

“Aberração”

Na opinião da socióloga Silvia Rivera, o informe da ONU é uma agressão à soberania boliviana e à cultura indígena. Além disso, baseia-se em um estudo sem rigor científico e vai de encontro aos interesses da medicina ocidental.

De acordo com ela, em 1950, a entidade enviou à Bolívia uma comissão para investigar a folha de coca. “O documento que se originou daí era uma aberração, baseado em especulações, em provas fragmentárias. Só estiveram aqui 18 dias e entrevistaram donos de fazendas, capatazes de minas, engenheiros, médicos. Nunca chegaram diretamente ao consumidor. Quem dirigia essa comissão era o presidente da American Pharmaceutical Association”, conta.

Segundo a socióloga, nessa época havia uma medicina com uma visão progressista, que considerava superstições qualquer medicina indígena. Desse modo, tal estudo segue vigente e com base nele a coca foi incluída como substância ilegal na Convenção de 1961. Ela lembra, ainda, que uma cláusula desta convenção permitia a produção, a compra e venda e o transporte da folha de coca apenas para saborizante sem alcalóides. “E a patente mundial da coca como saborizante é da Coca-Cola. Ou seja, se protege os interesses dessa corporação”.

Interesses

No entanto, para Rivera, outros interesses também são atendidos, como os da indústria farmacêutica e da medicina ocidental. “O negócio é mais importante que a saúde. O objetivo não é curar, mas criar dependência. É o vício à droga tolerado. Nesse contexto, a coca é uma ameaça”.

Acompanhando a indignação da população em geral, o governo da Bolívia rechaçou a recomendação da ONU, chamando a Jife de “ignorante e anacrônica”. No dia 10, em Viena, na Áustria, uma delegação do país deixou claro seu protesto na abertura da reunião da Comissão de Entorpecentes do organismo.

Em seu discurso, o vice-chanceler boliviano, Hugo Fernández criticou a “desconsideração e falta de respeito” da Jife com relação a uma tradição de mais de três mil anos. Na ocasião, Fernández anunciou uma solicitação formal de retirada da folha de coca da lista de entorpecentes da ONU.

http://www.brasildefato.com.br:80/v01/agencia/internacional/desrespeito-a-uma-cultura-milenar  

criado por Memória Lélia Gonzalez    22:13 — Arquivado em: Reflexão

Medida quer cinemas em cidades pequenas

Medida tenta reverter concentração de cinemas em centros urbanos

O governo brasileiro resolveu tomar medidas para diminuir a concentração de salas de cinema nos centro urbanos e universalizar o acesso àquela que é considerada a sétima arte. O presidente Lula sancionou no último dia 10, uma lei que estabelece o desconto no Imposto de Renda (IR) para empresários que construírem cinema em cidades com menos de 100 mil habitantes. A lei prevê incentivos tanto para projetos culturais de acesso gratuito como para sessões pagas.

A medida sancionada por Lula passará a ser um anexo da Lei Rouannet, também conhecida como Lei Federal de Incentivo à Cultura. Em vigor desde 1991, está legislação foi formulada com o objetivo de incentivar investimentos culturais e pode ser usada por empresas e pessoas físicas que desejam financiar tais projetos.

Para o caso das novas salas de cinema, o novo anexo da Lei Rouanet prevê que o doador ou o patrocinador poderá descontar da declaração do IR, 80% do valor destinado ao projeto cultural no caso de pessoas físicas. No caso de pessoa jurídica, a dedução é de 40% do valor referente a doações e 30% se o apoio for em forma de patrocínio.

O valor a ser abatido não pode ultrapassar 4% do valor total do imposto da pessoa jurídica e 6% no caso de pessoa física.

Poderão ser patrocinados apenas os projetos aprovados pela Comissão Nacional de Incentivo à Cultura.

De São Paulo, da Radioagência NP, Juliano Domingues.

17/03/08
http://www.radioagencianp.com.br:80/index.php?option=com_content&task=view&id=4207&Itemid=1  

criado por Memória Lélia Gonzalez    22:04 — Arquivado em: Educação, Trabalho e Emprego

17.3.08

30 anos de QuilombHoje

Quilombhoje completa 30 anos e lança edição comemorativa de contos e poemas afro-brasileiros

Entidade quer que publicação seja referência nas escolas do país

Lançamento: "Cadernos Negros – Três Décadas"
15 de março de 2008 – às 16 horas
Local: Auditório FAM (Faculdade das Américas)
Endereço: Rua Augusta, 973 – Consolação
Informações: 11-2959-1647
Entrada Franca

São Paulo - Com o objetivo de propor uma nova reflexão sobre a Lei 10.639/03, que torna obrigatório o ensino da história e da cultura afro-brasileira nas escolas públicas e particulares de todo o Brasil, o Grupo Quilombhoje está lançando uma publicação histórica que reúne a amostragem de contos e poemas de 35 autores. Os textos foram lançados a partir de 1978, quando sugiram os "Cadernos Negros", antologia que tem a intenção de participar do processo de formação de edições e acervos histórico-literários sobre afrodescendentes na contemporaneidade.

Com o título de "Cadernos Negros - Três Décadas" o livro traz em 336 páginas, ilustrações das capas das edições anteriores, índice com nome dos autores que participaram desde a primeira edição, como Mirian Alves, Cuti e Conceição Evaristo, além de fotos que marcaram os eventos de lançamentos e uma coletânea constituída de análises da série. A seção de textos críticos, que tem a supervisão da Professora Drª. Florentina Souza (UFBA), contou com os trabalhos de outros professores e escritores como Fausto Antonio, Elio Ferreira e Maria Cândida. Destaque para os textos de "orelha" sobre a edição comemorativa, assinados por personalidades, como João Jorge (presidente do Grupo Olodum) e Abdias Nascimento (ex-senador e ativista do Movimento Negro).

De acordo com Esmeralda Ribeiro, coordenadora do Grupo Quilombhoje, a literatura afro-brasileira não tem recebido atenção por parte dos organizadores de livros didáticos. "Uma das reclamações constantes de professores e estudantes é justamente sobre a falta de textos e estudos que possibilitem ao professor a organização de projetos pedagógicos sobre os temas que abordamos em nossos livros", afirma.

Outro objetivo, é que o Cadernos Negros - Três Décadas seja adotado pelo Ministério da Educação (MEC) e que tenha uma ampliação nos ensinos médio, técnico e universitário do país. "Os Cadernos Negros visam participar da constituição da memória das produções culturais afro-brasileiras. Assim, esta edição de três décadas dará a possibilidade de se conhecer, ler e analisar exemplos significativos da literatura afro-brasileira e da crítica sobre os mesmos", conclui a escritora.

Grupo Quilombhoje

Fundado em 1980, O Grupo Quilombhoje tem como objetivo discutir e aprofundar a experiência afro-brasileira na literatura, reunindo autores de todo o Brasil.

A proposta principal é incentivar o hábito da leitura e promover a difusão de conhecimentos e informações assim como desenvolver e incentivar estudos, pesquisas e diagnósticos sobre literatura e cultura negra.

Além dos Cadernos Negros, o Quilombhoje já lançou livros individuais e livretos incentivando o debate sobre temas atuais e polêmicos. Já realizou várias rodas de poemas e montou duas peças de teatro utilizando poemas de autores como Solano Trindade e Cruz e Souza.

Atualmente o grupo é coordenado pela jornalista e escritora Esmeralda Ribeiro e pelo escritor Márcio Barbosa.

Informações à Imprensa:
Central de Comunicação
Fone/Fax: 11-3782-9304
Chris Molina – 11-8947-3075
Claudia Alexandre – 11-9172-4662

Central de Comunicação/Quilombhoje/03.03.2008
Central de Comunicação - central@centraldecomunicacao.com.br  

criado por Memória Lélia Gonzalez    21:56 — Arquivado em: Educação, Estudos e Pesquisas, Lançamento

16.3.08

Salvador Um hotel Ruanda?, por João Jorge

João Jorge
Advogado, Mestre em Direito Público pela UNB.
Presidente do Olodum


Salvador-BA - Jornal A Tarde. 14 de Marco de 2008

A derrubada de um terreiro de candomblé, por prepostos da Prefeitura Municipal de Salvador com o apoio da Policia Militar, foi uma violência institucional da cidade contra os afros baianos. O Poder Municipal atuou contra a Constituição Estadual da Bahia que no art. 275 afirma: É dever do Estado preservar e garantir a integridade, a respeitabilidade e a permanência dos valores da religião afro-brasileira; contra a Lei Orgânica do Município no art. 267, que ordena ao poder municipal, a preservação e a proteção ao candomblé enquanto valores culturais do município.

As autoridades municipais, através da Sucom, deram a ordem de demolir e o uso de forca militar para atacar o templo religioso, ao arrepio da lei estabelecida ferindo de morte a Constituição e o Estado de Direito. Todos perdemos: a cidade, a cultura, o turismo, a convivência entre diferentes credos, as duas secretarias criadas para não permitir estes atos pelo poder publico, a Semur municipal e a Sepromi estadual, a economia do turismo étnico, tal a rapidez que a notícia desta estupidez foi veiculada fora do Brasil. Como isto aconteceu? Como chegamos a este ponto de barbárie na cidade mais africana, do mundo ocidental? Quanto disto é civilização? Se fosse um ataque a outra religião? O que aconteceu depois de atos como este nos Estados Unidos, Alemanha, África do Sul, Austrália?

Os fatos de Ruanda, na África oriental, servem para explicar o que está acontecendo aqui. Em Ruanda uma maioria Hutus era oprimida por uma minoria Tutsi. Com a omissão e ajuda da Bélgica e da Franca, o ódio racial e a intolerância viraram um genocídio contra os Tutsi e numa tragédia com mais de um milhão de mortos. Para Joseph-Désiré Bitero, de Ruanda: “A fonte de um genocídio o senhor jamais verá, está enterrada bem fundo nos rancores, sob um acúmulo de desentendimentos dos quais herdamos o último. Chegamos à idade adulta no pior momento da história de Ruanda, fomos educados na obediência absoluta, no ódio, fomos entupidos de fórmulas, somos uma geração sem sorte”.

Aqui vivemos esta realidade de pré-guerra religiosa. Recentemente um ataque de um homem que se diz da igreja Universal do Reino de Deus à imagem de São Benedito, contra um santo negro carregando o menino Jesus, os ataques judiciais aos jornais A Tarde, Folha de São Paulo que informaram sobre esta mesma expressão religiosa como forma de intimidação, isto mostra como a intolerância e o racismo nos trazem graves problemas. Os programas de TV diários atacando o candomblé e as religiões de matiz africana, nos moldes da intolerância em Ruanda.

Um dos Tutsi que participaram da matança entrevistado por Hatzfeld no seu livro diz, “Em 1991, nos jornais militares o Tútsi era apontado como o inimigo natural do Hutus que precisavam ser eliminados definitivamente. Estava escrito em letras garrafais na primeira página. Com o tempo, o alvo foi sendo pouco a pouco difundido nas estações de rádio”.

A nossa intolerância se desenvolveu em diferentes épocas: no Direito, na sociedade, independentemente de regime político e de tipo de governante. Colônia, Império, República, Salvador foi líder mundial em tráfico de escravos superando cidades como, Nantes (França), Liverpool (Inglaterra) Lisboa (Portugal). A cultura dos escravos africanos chocava com a religião oficial e um dos sinais disto foi a perseguição religiosa ao candomblé desde os primeiros momentos da escravidão. Só foi proibida pelo Decreto 20.095, de 25 de janeiro de 1976, do governador Roberto Santos.

As marcas deste passado estão na sociedade e nos governos; são visíveis na violência individual e coletiva do presente e explicam (não justificam) os atos inconstitucionais dos prepostos da prefeitura municipal de Salvador contra um templo religioso. A cidade tem muitas outras urgências e necessidades vitais, o racismo institucional e a intolerância estão contribuindo para que Salvador se transforme em um novo Hotel Ruanda, com maiorias negras mestiças vivendo nos bairros sem estruturas, com violências sem perspectivas de vida melhor, com as autoridades pedindo desculpas depois de praticar atos ilegais. Vamos mudar isto com novas políticas de igualdade, mesmo que esta nos custe caro e perdas de privilégios históricos. Vamos trabalhar contra a pobreza e na defesa dos direitos humanos para que Salvador seja um bom hotel para toda a nossa humanidade, cidade acolhedora da diversidade e da democracia.

João Jorge - jjr.olodum@uol.com.br - domingo, 16 de março de 2008

para saber mais:
http://atabaqueblog.blogspot.com/2008/03/guerra-santa-em-salvador.html

http://atabaqueblog.blogspot.com/2008/03/intolerncia-religiosa-em-salvador.html

criado por Memória Lélia Gonzalez    18:54 — Arquivado em: Reflexão, Religião Afro-Brasileira

Teses de acesso livre 01

- Zumbi: historiografia e imagens
Autor
: Andressa Merces Barbosa dos Reis
Categoria: Teses e Dissertações
Instituição:/Parceiro - [cp] Programas de Pós-graduação da CAPES
http://www.dominiopublico.gov.br/pesquisa/DetalheObraForm.do?select_action=&co_obra=18753  

- O movimento negro em Belo Horizonte: 1978-1998
Autor
: Marcos Antônio Cardoso
Categoria: Teses e Dissertações
Instituição:/Parceiro [cp] Programas de Pós-graduação da CAPES
http://www.dominiopublico.gov.br/pesquisa/DetalheObraForm.do?select_action=&co_obra=19024  

- Resistência e revolução no teatro: arena conta movimentos libertários (1965-1967)
Autor: Michele Soares
Categoria: Teses e Dissertações
Instituição:/Parceiro [cp] Programas de Pós-graduação da CAPES
http://www.dominiopublico.gov.br/pesquisa/DetalheObraForm.do?select_action=&co_obra=18919  

- Educação e Ações Afirmativas: entre a injustiça simbólica e injustiça econômica. 2003. INEP. 270p.
Autor
: Ministério da Educação
Categoria: Educação
Instituição:/Parceiro [me] Ministério da Educação
http://www.dominiopublico.gov.br/pesquisa/DetalheObraForm.do?select_action=&co_obra=5216  

- Educação anti-racista: caminhos abertos pela lei federal nº 10.639/03. (Coleção educação para todos)
Autor: Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade -SECAD
Categoria: Educação
Idioma: Português
Instituição:/Parceiro [me] Ministério da Educação
http://www.dominiopublico.gov.br/pesquisa/DetalheObraForm.do?select_action=&co_obra=16224  

- Com licença, eu vou à luta! mulheres empresárias de Patos de Minas - 1980-90
Autor: Maria de Fátima Silva Porto
Categoria: Teses e Dissertações
Idioma: Português
Instituição:/Parceiro [cp] Programas de Pós-graduação da CAPES
http://www.dominiopublico.gov.br/pesquisa/DetalheObraForm.do?select_action=&co_obra=18920  

- Da casa e da roça: a mulher escrava em Vassouras no século XIX
Autor
: Ana Maria Leal Almeida
Categoria: Teses e Dissertações
Idioma: Português
Instituição:/Parceiro [cp] Programas de Pós-graduação da CAPES
http://www.dominiopublico.gov.br/pesquisa/DetalheObraForm.do?select_action=&co_obra=19058  

- A frente negra brasileira: política e questão racial nos anos 1930
Autor
: Laiana Lannes de Oliveira
Categoria: Teses e Dissertações
Idioma: Português
Instituição:/Parceiro [cp] Programas de Pós-graduação da CAPES
http://www.dominiopublico.gov.br/pesquisa/DetalheObraForm.do?select_action=&co_obra=18929  

criado por Memória Lélia Gonzalez    18:48 — Arquivado em: Teses USP e outras

1ª formatura da UniPalmares SP

Racistas, não; apaixonados pelo Brasil
JOSÉ VICENTE

TENDÊNCIAS/DEBATES
São Paulo, quinta-feira, 13 de março de 2008

Hoje, entregamos a primeira centena de jovens negros formados em administração pela Unipalmares; depois disso, o país estará mudado

NÃO SOMOS RACISTAS! Essa foi a expressão que mais tive de repetir nos últimos cinco anos, para justificar e defender junto a pessoas e instituições, a oportunidade e a necessidade da criação e da consolidação de uma instituição de ensino com o caráter e os fundamentos da Universidade da Cidadania Zumbi dos Palmares -fundeada no acesso universal, na excelência do ensino, na promoção da inclusão ao mercado de trabalho, na cultura da tolerância, do diálogo interracial, na valorização da diversidade racial, no resgate da auto-estima e na elevação do protagonismo dos jovens negros.

Entendíamos que fazer essa universidade era o pouco que nos restava como forma de sinalizar um novo tempo, um novo caminho, uma nova esperança e uma nova possibilidade frente ao notório e terrível quadro de exclusão que inexoravelmente vitima o negro na sociedade brasileira.

"Não existem raças. Discriminação, se houver, é a discriminação social -reflexo do cruel patrimonialismo, do classismo e do autoritarismo estruturantes do caráter nacional-, que atinge todos os pobres invariavelmente. Infelizmente -e curiosamente-, os negros são a sua maioria e, logo, vítimas preferenciais da exclusão.

Esse é o motor da discriminação e o responsável por sua não-presença e não-participação na vida social, política, econômica e cultural, na esfera governamental, no ensino superior e no ambiente corporativo. Terminada a pobreza, estará terminada a discriminação. Fora disso, estaremos diante de terrível segregação racial, da difusão do ódio racial, do racismo às avessas, do desejo inconfesso e irresponsável de incendiar o país, transformando-o de multirracial em uma nação de brancos e negros."

Contra esses e todos os demais fatalismos e determinismos respondi à exaustão: não somos racistas. Somos brasileiros negros de todas as cores. Republicanos, amantes da justiça e da democracia, comprometidos com a dignidade da pessoa humana. Somos brasileiros negros de todas as classes, intransigentes na defesa da igualdade de oportunidades, da participação democrática e plural de todos na vida nacional. Somos cidadãos que acreditam no aperfeiçoamento das pessoas e instituições, na capacidade de criação, realização e superação de todo ser humano. Somos brasileiros e acreditamos que o melhor país é aquele que seja um bom país para todos. Por isso, preferimos trabalhar, criar e ousar novos caminhos do que permanecer presos pelo pântano. Somos brasileiros que preferem buscar a luz do que subordinar-se à escuridão.

Discriminação racial ou discriminação social, o fato é que o país encontra-se cindido, e o negro continua no porão: separado e desigual. Esse é nosso dilema. Continuar de costas para metade de nossa gente jamais permitirá que alcancemos o status de nação. Buscar um novo caminho é imperativo. É nossa obrigação. É manifestação de paixão, de amor pelo Brasil.

No dia de hoje, entregamos ao nosso país a primeira centena de jovens negros formados no curso de administração da Unipalmares. Cento e vinte e seis formandos que foram qualificados no uso da língua inglesa e preparados para o mercado de trabalho em programas especiais de trainees do setor bancário. Todos estão empregados -30% deles, efetivados nesses parceiros.

Nunca antes, nos seus 508 anos de existência, o Brasil conheceu um acontecimento dessa magnitude. Em nenhuma outra instituição de ensino superior da América Latina encontramos 90% de alunos que se declaram negros ou 40% de professores -doutores, mestres e especialistas- negros no corpo docente. Tudo sem governo, partido, igreja, sindicato ou organismos internacionais. Sociedade civil pura, unindo esforços, superando obstáculos e mudando a história.

Nesta noite, quando o senhor presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, patrono dos formandos, entregar o "canudo de papel" a cada um dos 126 bravos formandos, nosso país estará para sempre mudado. Teremos andado 120 anos em 5 e superado a armadilha do imobilismo. Teremos recuperado em cada negro brasileiro a centelha da esperança, a possibilidade da justiça e a certeza de que podemos construir um novo destino.

Ao Criador que nos conduziu e permitiu essa graça e a todas as pessoas e instituições que ajudaram nossa esperança a vencer mais este desafio obrigado, muito, muito obrigado.

JOSÉ VICENTE, advogado, sociólogo, mestre em administração e doutorando em Educação pela Universidade Metodista de Piracicaba, é presidente da ONG Afrobras e reitor da Universidade da Cidadania Zumbi dos Palmares.

recebido de Wânia Santanna - wsantanna@uol.com.br,
em discriminacaoracial@yahoogrupos.com.br 

criado por Memória Lélia Gonzalez    18:42 — Arquivado em: Dignidade

EUA e o acordo contra discriminação racial

Condoleezza assinará acordo contra discriminação racial

Visita da secretária dos EUA servirá para discutir também biocombustível.
Ela terá encontro privado com Lula e viajará a Salvador.

Tiago Pariz Do G1, em Brasília

A secretária de estado norte-americana, Condoleezza Rice, visita o Brasil esta semana para discutir a implementação da agenda comum na área de biocombustíveis e assinar acordo de cooperação contra a discriminação racial.

O acordo, chamado de Plano de Ação Conjunto para a Eliminação da Discriminação Étnico-Racial e a Promoção da Igualdade, tem como centro ações em educação. O plano buscará melhorar programas de intercâmbio universitário na área de graduação, pós-graduação, além de oferecer oportunidades para pesquisadores e professores.

O governo dos Estados Unidos também se comprometerá a treinar professores para ensino do inglês em escolas públicas. O acordo será assinado na quinta-feira (13 de março) com o ministro da Igualdade Racial, Edson dos Santos.

Biocombustível

Antes de assinar o acordo, Rice vai se encontrar com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e com o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim. Pela agenda oficial, o principal assunto será a cooperação na área de biocombustíveis.

O encontro faz parte dos desdobramentos que os dois países estão implementando para tornar o etanol e o biodiesel alternativas viáveis no continente.

Outros temas também deverão entrar na pauta da secretária norte-americana, como a recente crise entre Equador e Colômbia e o Oriente Médio.

Após a visita a Brasília, Rice segue para Salvador, onde visitará comunidades locais e terá encontro com o governador Jaques Wagner.

Fonte: G1
recebido de José Ricardo - josricbr@yahoo.com.br

criado por Memória Lélia Gonzalez    18:37 — Arquivado em: Dignidade

Plano com 91metas para as mulheres

Governo lança plano com 91 metas para ampliar cidadania das mulheres

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva lançou ontem (05 de março de 2008), em Brasília, o II Plano Nacional de Políticas para as Mulheres (PNPM). O plano tem 91 metas, com 56 prioridades e 394 ações distribuídas em 11 eixos de atuação.

Ao participar do evento, a deputada Fátima Bezerra (PT-RN), integrante da executiva da bancada feminina no Congresso Nacional ressaltou que o plano "é um passo importante" para ampliar a cidadania das mulheres brasileiras. "Esse é um momento afirmativo na luta das mulheres, dos movimentos sociais, da bancada feminina com vistas à ampliação da cidadania para todas as brasileiras", disse.

Antes do lançamento do Plano, a bancada feminina no Congresso Nacional reuniu-se com o presidente Lula. Participaram do encontro mais de 30 parlamentares de diversos partidos. Estavam presentes as oito deputadas da bancada petista. De acordo com a deputada Fátima Bezerra, o encontro "foi proveitoso" e serviu para apresentar uma pauta de reivindicação. "Pela primeira vez o presidente Lula recebe uma delegação da bancada feminina. Na nossa pauta de reivindicações, que deverá ser discutida com a Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, está o pedido para que o Orçamento da secretaria não seja contigenciado, mas, sim, seja ampliado", disse.

Fátima Bezerra acrescentou que outros temas foram incluídos na pauta com o presidente. "Dentre eles, a questão da previdência para as empregadas domésticas, e para as donas de casa". Ela lembrou o projeto de lei que trata do tema de autoria da ex-deputada Luci Choinacki (PT-SP). "Também colocamos questões da saúde, do trabalho, além de ações de combate à violência. A expectativa é a de que a gente possa ter soluções a curto e médio prazos", destacou a parlamentar petista.

Plano - O II PNPM, assim como sua primeira edição, representa a reunião dos esforços do Governo Federal para a promoção da igualdade de gênero no país. Dentre as principais metas do plano estão garantir um mínimo de 30% de candidaturas de mulheres nas eleições, conforme determina a Lei 9.504/97; ampliar em 20%, nas eleições de 2010, o número de mulheres na Câmara, no Senado Federal e nas Assembléias Legislativas; e a revisão da Lei 9.504/97.

Na área da educação, além da alfabetização de 3 milhões de mulheres, as metas incluem a construção de 1.714 creches e pré-escolas; a formação de 120 mil profissionais da educação nas temáticas de gênero, raça/etnia e a ampliação em 10% da freqüência de mulheres negras no ensino superior.

Na área da saúde o Governo Federal tem entre suas principais metas para os próximos anos reduzir em 15% a mortalidade materna e disponibilizar métodos anticoncepcionais em 100% dos serviços de saúde.

Também fazem parte das metas do Plano para o período 2008-2011, além da reserva de 30% das vagas nas frentes de trabalho do PAC e a realização de 1500 mutirões do Programa Nacional de Documentação das Trabalhadoras Rurais: ampliar a participação das mulheres no Pronaf em 35% e aumentar em 30% o número de trabalhadoras domésticas com carteira assinada.

fonte: Informes PT - 6/mar/2008 nº3938

Clique para ler e baixar o II Plano

O Capítulo 9, que trata do Enfrentamento do racismo, sexismo e lesbofobia, está na página 163  do Plano.

DECRETO Nº 6.387, DE 5 DE MARÇO DE 2008 que Aprova o II Plano Nacional de Políticas para as Mulheres - II PNPM, e dá outras providências.

Para saber mais:
http://200.130.7.5/spmu/portal_pr/destaques_plano_nacional_pr.htm

criado por Memória Lélia Gonzalez    18:28 — Arquivado em: Mulher

Posts mais antigos »
Report abuse Close
Am I a spambot? yes definately
http://informa.blog.terra.com.br
 
 
 
Thank you Close

Sua denúncia foi enviada.

Em breve estaremos processando seu chamado para tomar as providências necessárias. Esperamos que continue aproveitando o serviço e siga participando do Terra Blog.