Memória Lélia Gonzalez Informa

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23.4.07

Nota Pública. Museu AfroBrasileiro. Salvador BA

CENTRO DE ESTUDOS AFRO-ORIENTAIS
Praça Inocêncio Galvão, 42 – Largo 2 de Julho – Cep: 40025-010 – Salvador-BA – Brasil CEP 40060-055
Fone: 71-3322-6742   Fax: 71-3322-8070 – e-mail ceao@ufba.br  
Home Page – http://www.ceao.ufba.br/

NOTA PÚBLICA

O Conselho Deliberativo do Centro de Estudos Afro-Orientais (CEAO), da Universidade Federal da Bahia (UFBA), reunido em 19 de abril de 2007, tendo em vista recentes manifestações publicadas na imprensa (A Tarde Cultural, de 14 de abril de 2007), que anunciam a dissolução do Museu Afro-Brasileiro e a transferência do seu acervo para uma outra instituição federal a ser criada, vem a público esclarecer que:

1) fundado há 33 anos, o Museu Afro-Brasileiro é um espaço de identidade e memória da população afro-descendente brasileira, instituição essencial para o desempenho da UFBA, e do CEAO em particular, no sentido de informar e educar a respeito da riqueza cultural dos povos africanos e seus descendentes no Brasil;

2) além de expor peças representativas da cultura material africana e afro-brasileira à visitação pública, o Museu Afro-Brasileiro desenvolve atividades de ensino, pesquisa e extensão, a exemplo do Projeto de Atuação Pedagógica e Capacitação de Jovens Monitores, jovens estes selecionados em parceria com instituições negras baianas;

3) o Museu Afro-Brasileiro é, então, instrumento fundamental da conhecida política de inclusão racial e de combate ao preconceito preconizada pela UFBA;

4) por todas estas razões, a UFBA não cogita dissolver, nem ceder o acervo do seu Museu Afro-Brasileiro para qualquer outra instituição existente ou a ser criada.

Salvador, 19 de abril de 2007.

recebido de CEAO - ceao@ufba.br

criado por Memória Lélia Gonzalez    14:08 — Arquivado em: Dignidade

13.4.07

Conferência de políticas para as mulheres no RJ

Conferência vai discutir políticas para as mulheres
13/4/2007 09h28

Em decreto publicado nessa quinta-feira no Diário Oficial o governador Sérgio Cabral autorizou a realização da II Conferência Estadual de Política para as Mulheres do Estado do Rio de Janeiro, que acontecerá nos dias 22, 23 e 24 de junho de 2007.

As palestras, que serão coordenadas pela Superintendência de Direitos da Mulher da Secretaria de Estado de Assistência Social e Direitos Humanos, vão analisar e repactuar o Plano Estadual de Políticas para as Mulheres e a promoção da participação de representantes fluminenses no evento.

Uma comissão organizadora, designada pela Secretaria de Estado de Assistência Social e Direitos Humanos, vai agora elaborar o regimento interno da conferência.

O decreto determina que a proposta de composição da comissão organizadora deverá ser encaminhada pela Superintendência de Direitos da Mulher à Secretaria de Estado de Assistência Social e Direitos Humanos em, no máximo, três dias úteis, depois de sua publicação.

fonte: http://www.governo.rj.gov.br/noticias.asp?N=37195

criado por Memória Lélia Gonzalez    16:05 — Arquivado em: Mulher

Racistas? Não

Racistas? Não

Sueli Carneiro
Doutora em Filosofia da Educação pela USP, é diretora do Geledés (Instituto da Mulher Negra)

O vice-presidente José Alencar afirmou em comentário à frase da ministra Matilde Ribeiro que “o racismo realmente não existe” no país. Como não somos racistas, devemos entender que o incêndio criminoso praticado em moradias de estudantes africanos na UnB “não se coaduna com o espírito aberto, tolerante e acolhedor do povo brasileiro”, conforme recomenda nota do Ministério das Relações Exteriores sobre o caso.

Portanto, além de não sermos racistas, somos também cordiais e acolhedores e é, em conformidade com esse “espírito”, que, como informa o site Globo.com de 23/3/07, a prefeitura de Apucarana, no Paraná, “adotou uma solução radical para acabar com os moradores de rua: recolheu os mendigos e mandou-os embora do município. A administração municipal diz que a medida é uma resposta à reclamação de cidadãos incomodados: “A gente está tomando essa medida mais enérgica para poder acabar com isso”, justificou a assistente social Edilaine Lima. A foto que acompanha a matéria mostra cinco pessoas negras diante da autoridade policial. Os que retornarem às ruas serão processado por vadiagem.

Aliás, a origem da lei da vadiagem não poderia ser mais emblemática acerca do nosso não-racismo. No artigo “Processo e preconceito social”, Miguel Lucena Filho aponta que “a mendicância e a vadiagem transformaram-se em objeto da repressão estatal na medida em que o escravagismo ia entrando em declínio, com as ruas cheias de libertos sem ocupação. O Estado reprimia a resistência de livres e libertos em voltar à condição análoga à de escravos. Reprimia-os, prendia-os e, por fim, forçava-os ao trabalho gratuito, agora na condição de condenados. O apelo à repressão da vadiagem, após a assinatura da Lei Áurea, expressava o medo das autoridades ante a liberdade e o abandono das grandes propriedades por ex-escravos.”

Como não somos racistas, em 16/1/07, como informa a lista racial, no Piauí, Robson Luiz Moreira, cantor de hip hop, funcionário do Projeto Casa Brasil, esperava o ônibus quando foi abordado por um policial militar fardado que, sem explicar nada, arrastou Robson até a parede mais próxima, bateu fortemente no jovem e apontou arma de fogo para sua cabeça. Assustado e sem entender por que apanhava, recebia respostas agressivas do policial: “Você não tem que me dar explicações, vai explicar na cadeia”. O cantor só entendeu o porquê de estar apanhando quando um popular que estava na parada de ônibus perguntou ao policial: “O que esse neguinho marginal fez?” O policial respondeu, depois de dar mais um tapa na cara de Robson: “Ele roubou dois celulares”. Algemado, o cantor foi jogado dentro do camburão e levado ao distrito policial. Na delegacia, outros policiais que o receberam não lhe deram o direito legal de fazer uma ligação, ficando detido por horas em uma cela.

Como não somos racistas, em São Paulo, em 2/4/07, dois afro-americanos estudantes de direito da Universidade da Califórnia — UCLA seguiam em um táxi quando o veículo foi emparelhado por um carro de polícia, com quatro policiais, que colocaram as armas para fora da viatura, apontadas para o taxi, chegando quase a tocá-los. O carro da polícia seguiu emparelhado com o táxi por cerca de quatro quadras. Sem dizer uma palavra, os policiais miravam os estudantes e moviam a arma em direção a eles, o que gerou congestionamento e a humilhante curiosidade que essas situações provocam.

Entre as lições apreendidas por esses pesquisadores, como subsídio para o estudo comparativo que estão realizando sobre a questão racial no Brasil e nos EUA, a melhor está na frase do presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara Municipal de São Paulo, José Gregori, que, a propósito de lamentar a prisão do rabino Henry Sobel nos EUA disse: O que me deixa aterrado é a polícia americana ter chegado a esse grau de boçalidade. Você, como delegado, tem de saber quem prende. Esses afro-americanos receberam uma aula prática sobre o que isso pode significar no Brasil.

Como não somos racistas, o repentista e compositor negro maranhense Geremias Pereira da Silva, o Gerô, que teria sido “confundido” com um assaltante, foi torturado e executado após ter sido preso por dois integrantes da Polícia Militar do Maranhão, em 22/3/07. O Instituto Médico Legal constatou: duas costelas de cada lado fraturadas e hemorragia de um dos rins. Ao ser preso, portava seu primeiro CD, Gerô, uma voz diferente, que seria lançado em abril. Contra a maré dominante, o governador Jackson Lago, que esteve no velório do artista, afirmou que não vai tolerar a impunidade: “Antes, crimes iguais a este eram abafados; agora é diferente”. O espaço desta coluna é insuficiente para todos os casos a relatar.

Então, conclui-se que o único racismo que inequivocamente parece existir no Brasil é o “racismo às avessas” do qual está sendo acusada a ministra Matilde Ribeiro pela maioria dos formadores de opinião do país, por frase intencionalmente descontextualizada. Nela, encontraram o mote que há muito buscavam para desencadear a ofensiva conservadora, que ora assistimos, contra as políticas de ações afirmativas. Entre elas as cotas — o verdadeiro alvo escondido por trás da polêmica criada em torno da frase da ministra.

Correio Braziliense – Opinião – 13-04-2007
recebido de geledes@geledes.org.br
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criado por Memória Lélia Gonzalez    16:00 — Arquivado em: Reflexão

10.4.07

NBC suspende locutor por declarações racistas

"NBC" suspende locutor por causa de declarações racistas

Seg, 09 Abr, 09h58

Washington, 9 abr (EFE).- A cadeia "NBC" anunciou hoje que suspendeu por duas semanas o locutor Don Imus por qualificar de "mulherzinhas de cabelo sujo e espesso" às integrantes de uma equipe de basquete, a maioria negras.

A medida foi anunciada em comunicado pelo presidente da "NBC", Steve Capus, assinalando que os comentários de Imus foram "racistas e horríveis".

A decisão foi tomada apesar de Imus oferecer suas desculpas hoje em um programa de rádio dirigido pelo reverendo negro Al Sharpton, que pediu sua demissão.

"Nosso objetivo é divertir, mas desta vez errei a mão", assinalou Imus.

Em Chicago, o reverendo Jesse Jackson, ex-pré-candidato democrata à Presidência dos EUA, liderou uma manifestação para exigir a demissão de Imus.

Julian Bond, presidente da Associação Nacional para o Avanço das Pessoas de Cor, um grupo que defende os direitos das minorias, manifestou que "já é hora que o tirem do ar".

"Enquanto haja um público atraído por seu racismo e os políticos e os comentaristas tolerem esse racismo, Don Imus continuará com sua apologia do preconceito", acrescentou.

O locutor, que também qualificou o ex-secretário de Estado Colin Powell de "doninha risonha" e ao governador do Novo México de "bicha gorda", se qualificou como "uma boa pessoa" que cometeu um erro.

O comunicado do presidente da "NBC" tomou em conta os comentários de arrependimento do locutor e sua promessa de mudar o tom ofensivo de seu programa que é transmitido conjuntamente em centenas de radioemissoras de todo o país.

"O futuro de nossa relação com Imus depende da capacidade dele de cumprir sua palavra", assinalou.

Apesar da suspensão, a cadeia "NBC" indicou que manterá em sua programação da próxima quinta e sexta-feira espaços dedicados por Imus a fins filantrópicos.

O departamento de rádio da cadeia "CBS", que controla a difusão do programa de Imus, indicou que vigiará estreitamente seu conteúdo.

"Estamos decepcionados pelas ações de Imus que consideramos completamente inadequadas", disse a "CBS" em uma declaração. EFE

http://br.noticias.yahoo.com/s/09042007/40/entretenimento-nbc-suspende-locutor-causa-declara-oes-racistas.html  

recebido de Sandra Martins - smartins3@yahoo.com.br

criado por Memória Lélia Gonzalez    18:06 — Arquivado em: Crime de racismo

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