Memória Lélia Gonzalez Informa

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26.12.06

Griot na Mitologia Negra Brasileira

                                       
Mitologia Negra Brasileira

Nesta primeira exposição individual, Griot, dará um panorama da sua trajetória de quase meio século de carreira, demonstrando suas pinturas mais expressivas.

A mítica da mitologia negra expressa na visão de um Griot contemporâneo, com suas cores e técnicas inconfundíveis, será exposta em 21 trabalhos.

Com sua técnica mista ele criou um traço inconfundível e diferenciado que nos reporta a transcrever a nossa leitura do sagrado e profano, retratado em suas telas fortes e bem contextualizadas.

Desde então caminhando com a bandeira do coletivo em inúmeras exposições, desta vez o nosso Griot nos revelará a sua mensagem e leitura coletiva numa mostra individual imperdível.

Data – de 10 a 26 de janeiro de 2007
Abertura – 10 de janeiro - quarta-feira – às 19h
Local – Casa do Benin
Pelourinho – Salvador / Ba

Informações – 71-3241-5679 / 71-3241-0999 / 71-9991-0620

Para conhecer GRIOT

Nascido em 10/07/1939, na Liberdade, em São Paulo, Roberto Oswald Griot – Griot inicia sua carreira artística com Heitor dos Prazeres no Rio de Janeiro em 1954.

Realiza em 1960 sua primeira exposição na Galeria Vernom.

Nove anos depois abre sua primeira galeria com Heitor dos Prazeres Filho, onde desenvolve técnicas de restauração, decoração e exposição na Galeria Toca da Arte, citada no primeiro livro de arte brasileira feito pelo crítico Alberto Ponte Arte.

Um dos coordenadores do I Salão de Arte Negra no MAM – Rio de Janeiro, em 1978, realizado sob a administração do IPCN.

Em 1979, radica-se em Salvador onde torna-se um dos maiores pesquisadores e realizadores dos laços culturais das artes plásticas Brasil e África.

Um dos reconhecimentos do seu potencial e trabalho é sua inclusão como membro do comitê artístico brasileiro do Fespac (Festival Pan Africano das Artes e da Cultura) que seria realizado em Dakar – Senegal, em 1988, ao lado de nomes como Caetano Veloso, Djavan, Grande Otelo, Alceu Valença, Jorge Bem Jor, Milton Nascimento, etc., com a presidência de Gilberto Gil.

No ano anterior fundava o INAC – Instituto Negro de Arte e Cultura, com o intuito de preservar e elevar os bens imateriais da cultura negra, expressos não só no seu trabalho, como também em obras de diferentes artistas com a mesma inspiração e intuito.

Desde então sua trajetória tem sido a de relevantes atividades e exposições onde ficam evidenciadas suas pesquisas da realidade da diáspora negra no Brasil.

Em 1990, foi um dos grandes expoentes da delegação baiana no Congresso Internacional da Tradição e Cultura dos Orixás, realizado em São Paulo, sendo também referenciado como coordenador do grupo de arte da Bahia.

Em 1991, elabora o cartaz do I Encontro Nacional de Entidades Negras em São Paulo (cartaz agora publicado no livro 25 Anos do Movimento Negro de Januário Garcia – pág. 144).

Em 1996, expõe no Paletas do Pelô, evento de porte que reuniu artistas plásticos do Pelourinho.

Sediando seu atelier no Pelourinho, em 1999, também se torna um dos grandes expoentes desta vitrine cultural do Brasil, dando grandes contribuições como coordenador de artes e decorador em atividades de ponta na cultura baiana.

Na sua saga pelo resgate da dignidade e humanidade também idealizou o Centro de Arte e Cultura Kyosho.

Usando técnicas mistas, integra a mitologia negra do panteão dos deuses e ancestres cultuados na diáspora com momentos e cenas contemporâneas com sua experiência de meio século de carreira.

Atelier de Arte Negra
Tel – 71-3241-0999
End.: Rua Luis Viana, nº 3 - Ladeira do Carmo – Pelourinho – Salvador - Bahia

Histórico

2004 a 2006 – Coordenador do Atelier de Arte Negra
2003 – Restauração - Relíquias da Ordem Terceira do Carmo - BA
Curador - Arte Negra em Exposição – Conjunto Cultural dos Correios
2000 – Festa da Primavera – Decorador da Praça do Reggae e Sopé
Primavera com Arte – Liceu de Artes e Ofícios
1999 – Abertura do Atelier no Pelô
Coordenador do Grupo Bem Belo Verdade – BA
1998 – CNAA – Galeria de Arte Pedro Arcanjo – Pelô - BA
1996 – Projeto Paletas do Pelô – Solar do Ferrão – BA
1995 – Congresso Continental dos Povos Negros – Coordenador de Artes
Pelô 95 – Museu da Cidade
1991 – CNAA – Fine BA ABAV
Fórum de Entidades Negras da Bahia – Coordenador de Artes Plásticas
Coordenador de Artes plásicas – 1º Enen – SP
1990 – CNAA – Tradição e Cultura dos Orixás – SP
1989 – Inauguração da Galeria Ilejun Ifá, Carmo – BA
Criação do Projeto Cultura Negra Através da Arte
Criação do INAC – Instituto Negro de Arte e Cultura
Coordenador Cultura Negra Através da Arte – CNAA – Senac – BA
1988 – Comitê Artístico do FESPAC – Festival Pan-Africano das Artes e Cultura
1980 a 1987 – Presidente da Associação dos Artesãos do Centro Histórico – BA
Feira de Arte Campo Grande – BA
Coordenação da Exposição Foyer do TCA – BA
1978 – Coordenação de Artes Plásticas – MAM – RJ
1977 – Responsável pela Galeria Raízes – SP
1973 a 1977 – Compra e venda de artes, junto à 1ª Casa de Leilão do País – SP
1970 a 1972 – Responsável pela Galeria Heitor dos Prazeres – SP
1969 – Fundação da Galeria Toca da Arte – RJ
1957 a 1968 – auxiliar de Heitor dos Prazeres – RJ

criado por Memória Lélia Gonzalez    13:53 — Arquivado em: Agenda

17.12.06

Ação contra apologia da escravidão: Adesão

Solicitamos sua especial atenção para o que segue, ao tempo em que solicitamos, igualmente, que você e/ou sua Instituição assine a representação, juntamente com a ONG ABC sem Racismo.

Conforme AfroPress “A ação será protocolada na próxima semana…” - http://www.afropress.com/noticias_2.asp?id=919

"Se assumindo como negro você começa a trilhar a estrada para a emancipação; você se compromete a lutar contra todas as forças que buscam usar sua negritude como um selo que marca você como criatura servil.” Steven Biko

Conforme matéria veiculada no Jornal Folha de São Paulo – Caderno de Turismo, em 14 de dezembro próximo – (fonte de acesso restrito, para assinantes UOL - http://www1.folha.uol.com.br/fsp/turismo/fx1412200603.htm), intitulada “Sobrados e Mucambos – Visitas fazem apologia da escravidão”, a ONG ABC sem Racismo entrará junto aos órgãos do Ministério Público Federal e Estadual, com representação pedindo instauração de inquérito para apurar a prática de crimes por parte dos proprietários de fazendas em vários Estados brasileiros, inclusive S. Paulo, que, a pretexto de promoverem o turismo étnico, fazem apologia da escravidão.

A matéria completa da ONG ABC sem Racismo pode ser lida em http://www.afropress.com/noticias_2.asp?id=919 (ONG acionará autoridades contra apologia da escravidão - Por: Redação - Fonte: Afropress - 16/12/2006.)

Para a ONG, assim como para nós de Memória Lélia Gonzalez, “Trata-se de uma violência contra a população negra que representa metade do país; uma agressão continuada à nossa história, aos nossos ancestrais e representa uma ameaça ao futuro das nossas crianças que já crescem como senso de auto-estima destruído”.

Caso não tenha conhecimento da matéria, anexamos transcrição, abaixo : "Ação contra apologia da escravidão: textos de 01, 02 e 03"

Solicitamos sua adesão, anotando em "Comentários" ou diretamente para abcsemracismo@yahoo.com.br ou leliagonzalez@leliagonzalez.org.br

criado por Memória Lélia Gonzalez    15:14 — Arquivado em: Crime de racismo

Ação contra apologia da escravidão: texto 01

SOBRADOS E MUCAMBOS
Visitas fazem apologia da escravidão

Passeio absolve casa-grande e oferece até mesmo a "chance" de bater num escravo amarrado ao tronco

DO ENVIADO ESPECIAL À ZONA DA MATA

No ônibus, a guia anuncia a proposta do passeio pelas fazendas açucareiras: "Hoje, vocês vão se sentir como verdadeiros senhores de engenho, verdadeiras sinhazinhas". Consideradas as principais atrações da região, as fazendas de açúcar do período colonial se destacam pelos conjuntos arquitetônicos relativamente bem conservados, mas oferecem uma visão condescendente da casa-grande. As visitas pecam ainda pela recepção pouco criativa -ou criativa demais, como o caso do engenho que "convida" o turista a bater num escravo amarrado ao tronco.

Um passeio obrigatório é o engenho Poço Comprido, do século 18, em Vicência (81 km de Recife). Recém-restaurado, foi considerado patrimônio histórico em 1962 e é administrado por uma associação de moradores. O conjunto arquitetônico inclui uma capela e a moita, o local onde o açúcar era produzido. Apesar das construções conservadas, não dispõe da cultura material da época - as imagens da capela, por exemplo, foram retiradas por falta de segurança. A promessa é que sejam colocadas réplicas.

A senzala foi demolida, servindo de desculpa para qualquer tentativa mais séria de mostrar como viviam os cativos ali. De vestígio, aponta a guia, só o baobá, a árvore africana de tronco grosso. Com o escravo negligenciado, a visita enfatiza a opulência da casa senhorial e a fabricação do açúcar.

Em outra importante fazenda da região, o engenho Uruaé, em Goiana (65 km de Recife), o maior problema está na forma burlesca como a escravidão é retratada. O grupo é recepcionado por um casal de funcionários negros vestidos de escravos, inclusive descalços. A visita ao engenho iniciado no século 17 é conduzida por um deles. Ao contrário do Poço Comprido, aqui há móveis e outros objetos do período colonial, e a senzala continua de pé.

Vestido como "escravo da casa", o jovem guia mostra o "quarto da sinhazinha" e explica a genealogia da família proprietária do engenho através dos retratos na parede. Na senzala, que chegou a ter 300 escravos de uma vez, ele coloca uma peça de ferro no pescoço e anuncia, sorridente: "Quem era moreno como eu era aqui".

O mais constrangedor vem depois, do lado de fora: o guia se amarra no tronco e pede que um voluntário simule açoitá-lo. Foi difícil arranjar alguém disposto a interpretar o papel. Eleonor Correia da Cunha Rabello, da sétima geração da família fundadora do engenho, se explica: "A gente tem mais é que se orgulhar dos nossos que vieram antes", afirmou aos visitantes, dentro da capela. "Nós ainda não fizemos nada."

De forma explícita ou não, as visitas aos engenhos transformam esses verdadeiros campos de concentração numa bufonaria, diluindo um dos piores crimes da humanidade, principal responsável pela imenso fosso social brasileiro, em um exemplo acabado do "racismo cordial" . A escravidão é exaltada, a casa-grande, absolvida, e a cana-de-açúcar, revalorizada como "energia renovável", se torna bênção econômica do passado e do presente.
(FM)

ENGENHO URUAÉ
Acesso pela BR-101, às margens da PE-75; Goiana-PE. Visitas sob agendamento
Tel.: 0/xx/81/3227-0579

ENGENHO POÇO COMPRIDO
Acesso pela BR-408, às margens da PE-74. De ter. a dom., das 8h30 às 17h; ingresso custa R$ 5 e R$ 4 Tel.: 0/xx/81/3641-1635

fonte de acesso restrito, para assinantes UOL:
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/turismo/fx1412200602.htm

criado por Memória Lélia Gonzalez    14:47 — Arquivado em: Crime de racismo

Ação contra apologia da escravidão: texto 02

SOBRADOS E MUCAMBOS
Abstêmio mantém coleção com mais de 8.000 cachaças

Acervo foi incluído no Guinness; visitantes podem degustar marcas em doses que custam de R$ 3 a R$ 40

DO ENVIADO À ZONA DA MATA NORTE

Estando na região, uma opção de passeio é o curioso e bem-humorado Museu da Cachaça, mantido pelo colecionador abstêmio José Moisés de Moura, que conseguiu incluir seu acervo de 8.012 garrafas -até o final de novembro- no Guinness, o livro do recordes. "Talvez seja uma proteção para a própria coleção", especula Moura, 54, sobre o hábito de não beber cachaça. Sua falta de conhecimento mais íntimo com a bebida chega até mesmo ao ponto de ele evitar conselhos sobre qual marca levar da loja do museu.

Sem a ajuda de Moura, o visitante pode degustar algumas marcas -cada dose custa de R$ 3 a R$ 40. "É raro, mas acontece de turista sair carregado", afirma o colecionador. Qual é o interesse, então, de montar o museu? O microempresário diz que está do lado de fora da garrafa: "Gosto dos rótulos. É como se fosse uma coleção de figurinhas". De fato, o museu, engarrafado numa pequena casa em Lagoa do Carro, privilegia a organização da coleção por temas de rótulos: mulheres, ritmos musicais, times de futebol, santos e, claro, sacanagem: que tal tomar Nascoxinhas ou Amansa Corno, entre outras cachaças com nomes ainda mais impublicáveis?

O museu provoca uma dose de elefante de piadinhas -as melhores estão sendo compiladas por Moura, que pretende lançar um livro. Uma de suas preferidas, estampada na parede, é: "A cachaça é tão poderosa que a gente só nota que a Terra gira quando bebe ela".

Fabricação

Outra atração etílica local é a visita ao simpático engenho Água Doce, que fabrica artesanalmente uma cachaça com o mesmo nome.

Ali, é possível acompanhar as etapas da produção da bebida até chegar à degustação. As explicações são claras e servem como uma introdução para entender o crescente culto à cachaça.

(FABIANO MAISONNAVE)

MUSEU DA CACHAÇA
Diariamente das 9h às 17h; Acesso BR-408, PE-90, chácara Girassol. Lagoa do Carro - PE; entrada: R$ 3
0/xx/81/3621-8208

ENGENHO ÁGUA DOCE
Acesso pela BR-408, às margens da PE-74, km 10. Vicência - PE; é necessário agendar a visita pelo tel.: 0/xx/81/3641-1635
www.engenhoaguadoce.com.br

fonte de acesso restrito, para assinantes UOL:
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/turismo/fx1412200601.htm

criado por Memória Lélia Gonzalez    14:41 — Arquivado em: Crime de racismo

Ação contra apologia da escravidão: texto 03

SOBRADOS E MUCAMBOS
Engenhos desviam o turista para a zona da mata

Rota criada pelo governo do PE percorre região em passeios carregados da divisão casa grande-senzala

FABIANO MAISONNAVE
ENVIADO ESPECIAL À ZONA DA MATA (PE)

O avião se aproxima do aeroporto de Recife envolvido pelos azuis do céu e do mar. O comandante convida os passageiros a contemplar Porto de Galinhas pelas janelinhas. Do alto, a areia e as ondas banhadas pelo sol fazem salivar qualquer turista vindo de São Paulo. Mas o destino dessa viagem não é o litoral, e a pergunta no ar é: valerá a pena dar as costas para a praia e marchar rumo ao oeste como os bandeirantes?

O governo de Pernambuco tem certeza que sim. Tanto que lançou no mês passado a mais nova rota turística do Estado, batizada de Engenhos e Maracatus. A proposta é desbravar a histórica região da zona da mata norte, cujas principais atrações estão na visita a fazendas coloniais de açúcar e na vibrante cultura popular, cujo epicentro é o maracatu de baque solto ou maracatu rural.

O passeio inclui ainda provar da saborosa culinária regional, admirar o artesanato local e dar uma passada no curioso Museu da Cachaça, que aparece no Guinness como a maior coleção mundial da marvada.

E não se assuste o leitor com o maniqueísta primeiro parágrafo desse texto: todas as atrações estão em média a apenas 75 km do Recife, fazendo que essa região rural seja visitada sem tirar os dois pés da praia. Mas, se o viajante gostar da "zona" (ou ficar perdido pela sinalização falha), não faltam boas opções de hospedagem rural, algumas em antigas fazendas de açúcar, numa variação nordestina dos hóteis-fazenda do Sudeste que atrai a classe média regional em busca de mesa farta e passeios a cavalo.

Ao todo, a rota proposta pelo governo pernambucano inclui 90 atrativos em 19 municípios. Quase todos têm a vida econômica ainda voltada à cana-de-açúcar, cujas plantações dominam a paisagem rural -lamentavelmente, não sobrou quase nada da vegetação natural após séculos de plantios e colheitas.

Talvez pelo fato de ser um roteiro em formação, o turismo ainda não engrenou. No fim de semana em que a Folha passeou pela região, havia poucos forasteiros no local, mesmo com a realização de um festival de música em Nazaré da Mata.

O turismo que ainda engatinha é a causa ou conseqüência de algumas deficiências graves. No imponente e bem conservado engenho Poço Comprido (município de Vicência), por exemplo, a capela do século 18 está desprovida de suas imagens sacras, retiradas do local por falta de segurança. Outro ponto fraco é o serviço de guia, fundamental para o turismo histórico. Nesse quesito, o mais irritante é a apologia desavergonhada da escravidão - o engenho Uruaé (Goiana), administrado por descendentes dos fundadores, chega a oferecer ao turista a oportunidade de simular o açoite de um escravo no tronco!

Já os descendentes de africanos oferecem um espetáculo mais nobre por meio dos grupos de maracatu e de outros ritmos e manifestações regionais, como o contagiante coco, a ciranda e o cavalo-marinho. Tudo somado, a zona da mata norte é uma oportunidade para ver a dicotomia gilbertofreyreana de "Casa Grande & Senzala" e "Sobrados & Mucambos" travestida agora de engenhos e maracatus.

Aqueles, administrados por descendentes de senhores transformados em empresários de turismo e usineiros. Estes, impelidos pelos caboclos descendentes de escravos convertidos em bóias-frias. Não é a perfeita tradução daquela máxima de que as coisas precisam mudar um pouco para continuar do mesmo jeito?

FABIANO MAISONNAVE viajou a convite do governo de Pernambuco

criado por Memória Lélia Gonzalez    14:37 — Arquivado em: Crime de racismo

14.12.06

Negro em Preto e Branco ganha Prêmio

                                                                   
Negro em Preto e Branco ganha, na categoria especial, o Prêmio Açorianos de Literatura 2006

O livro “Negro em Preto e Branco – História Fotográfica da População Negra de Porto Alegre” (edição independente) foi o vencedor da Categoria Especial da 13ª edição do Prêmio Açorianos de Literatura 2006. A cerimônia de premiação foi realizada ontem à noite, 12, no Teatro Renascença, de Porto Alegre/RS.

Financiado pelo Fundo Municipal de Apoio à Produção Artística e Cultural (Fumproarte) da Prefeitura de Porto Alegre, a obra foi organizada pela fotógrafa Irene Santos e traz textos e entrevistas das jornalistas Silvia Abreu e Vera Daisy Barcellos.

O livro, que contribui para a afirmação da auto-estima da população afro-brasileira, evidencia, em mais de 500 fotos, a participação dos negros na construção do desenvolvimento de Porto Alegre, no período que vai de 1850, data dos primeiros registros fotográficos no mundo, até o final dos anos 70.

recebido de Vera Daisy - veradaisyb@yahoo.com.br

criado por Memória Lélia Gonzalez    16:26 — Arquivado em: Dignidade

1.12.06

As lições da Parada Negra - 20 nov. SP

Editoral - AfroPress
por Dojival Vieira

A manifestação que reuniu milhares de pessoas na Avenida Paulista, em 20 de Novembro (12 mil para a Polícia, 20 mil segundo os organizadores), não foi apenas a maior em número, mas também a que teve maior visibilidade de toda a história da luta contra a discriminação e o racismo em S. Paulo e no Brasil.

Todos os telejornais (Globo, Bandeirantes, Record, Cultura, SBT), deram com destaque a movimentação da massa humana que, por quatro horas percorreu do vão do MASP na Paulista ao Parque do Ibirapuera, pela Brigadeiro Luiz Antonio.

Militantes de longa data, ativistas mais jovens, negros e não negros mobilizados pelo Movimento Brasil Afirmativo e por entidades como a Unegro, CONEN, MNU se juntaram na Parada Negra e na III Marcha da Consciência para dizer um “Não” enfático ao racismo e exigir Ações Afirmativas e Cotas, e a identificação e punição dos bandidos que atacam lideranças negras, o fim do genocídio que atinge a juventude. Durante todo o percurso - acompanhado respeitosa e solidariamente por centenas de pessoas de todas as cores e etnias - não houve um único incidente.

As vozes de sacerdotes e sacerdotisas das religiões de matriz africana se juntaram a outras vozes de todas as religiões. Os mais velhos levaram seus filhos e netos; a Paulista - o coração financeiro do país - ouviu que não aceitamos mais viver em um Brasil com discriminação racial, em que homens negros ganham cerca da metade do salário de homens não negros, segundo órgãos oficiais como a Fundação Seade.

Passada a euforia, chegou a hora de aprender com as lições que a Parada deixou, e a primeira delas é para as lideranças, verdadeiras ou autodenominadas. É só exercitar o diálogo respeitoso que as soluções aparecem; é só não sabotar o esforço dos que verdadeiramente querem o diálogo, que temos, sim, capacidade de construir uma agenda de unidade, capaz de liderar o povo negro e fazer com que ele se assuma como força social e política transformadora.

Aliás, líderes existem exatamente para isso. Liderança exige paciência, determinação, ousadia, sabedoria. Não é para quem quer. É para quem sabe. Há um outro dado que convém lembrar: lideranças são necessárias, acrescentamos: cada vez mais necessárias. Não basta acreditar que as “entidades” assim mesmo genericamente colocadas podem substituí-las. Na hora da decisão, são pessoas que decidem e elas tem nome, sobrenome, história etc.

Antes que algum apressado aponte o dedo para vislumbrar voluntarismo, messianismo, ou qualquer outro “ismo” na afirmação, convém antecipar: lideranças se constroem quanto maiores (ou melhores), quanto maior for sua sintonia com o coração do povo e dos setores que defende, com as Causas que representa. Não se constrói líderes em estruturas burocráticas - território de chefes e chefetes que vão se sucedendo sob o controle de organizações verticalmente hierarquizadas. Líderes não são chefes: chefes mandam; líderes comandam.

Neste sentido, cabe às lideranças do Movimento Social Negro paulista assumirem suas responsabilidades, a começar pela avaliação da manifestação. Indispensável que se deixe de lado o supérfluo, o secundário - se foi Marcha ou foi Parada, por exemplo. Quem é líder - qualquer que seja o campo político em que atua - sabe que essa é uma discussão bizantina; é como discutir “se os anjos têm sexo”, ou coisas desse tipo.

Parada ou Marcha, não é o que importa. O que, de fato, importa é que o povo negro e outros milhares de pessoas estavam nas ruas, numa segunda feira em que a cidade estava vazia pelo feriado prolongado. Com um detalhe: não foram atraídas por artistas nem por celebridades; foram porque queriam ir, e sabiam, ou intuíam, a justeza da Causa.

Nós, da Afropress, que nos orgulhamos de ter assumido desde a primeira hora a mobilização pela Parada Negra, seguimos acreditando que o espírito da Parada é mais compatível para uma manifestação negra e anti-racista; é mais agregador, aglutina gente de diferentes segmentos da sociedade comprometidos com o anti-racismo; é mais afirmativo.

Não se trata apenas de marketing, há um sentido político no conceito Parada Negra, que é mais amplo do que Marcha. Usa-se o conceito Marcha para um evento determinado, com um sentido determinado. Por exemplo: a Marcha de um milhão de homens sobre Washington, a Marcha Zumbi + 10. Fora disso, o uso recorrente acaba reduzindo sua dimensão pela força do desgaste, esvaziando-lhe o sentido.

A Parada Negra veio pra ficar. E não apenas porque a mídia inteira a encampou. Nada acontece por geração espontânea. A mídia abriu espaço para a Parada porque houve um trabalho competente de assessoria; jornalistas foram atendidos com respeito; a eles foram passadas informações qualificadas. A imprensa brasileira que, secularmente, tratou a questão racial com desdém (quando viu, porque o padrão foi a invisibilidade), abriu-se para a Parada não apenas com quatro fotos na primeira página como a “Folha”, mas por meio de matérias em que mostrou seu lado humano e a justeza das nossas reivindicações.

A segunda lição é para certos setores do ativismo, que continuam confundindo seriedade e compromisso com a luta anti-racista com “tempo de casa”. Alguns chegam a estufar o peito: “tenho 38 anos de Movimento Negro”. Perguntamos: e daí? Desde quando antiguidade virou posto?

Todos os negros e negras deste país, têm de militante o mesmo tempo que têm de vida. Nascemos todos em uma sociedade racista; sofremos desde que nos entendemos como gente, com as seqüelas com que o racismo impregna e contamina as relações sociais, econômicas, políticas e culturais. Sofremos as conseqüências da desvantagem que carregamos pelos 350 anos de escravismo e mais os 118 de racismo pós-abolição.

Ser do Movimento Negro não é “grife”. Não se mede conseqüência, seriedade, compromisso, por “tempo de casa”. Quem assim pensa e age, na verdade, se apega ao mais descarado corporativismo que, invariavelmente, é o outro nome do conservadorismo mais empedernido também em relação à questão racial. Mude-se tudo para que tudo continue como está, é a outra tradução desse discurso.

E por fim, a terceira e última lição, é para os nossos mestres e doutores. Temos nomes de excelência em todas as áreas do conhecimento. Todos muito respeitáveis, todos exemplos do quanto poderíamos ser mais na Academia, se oportunidades tivessem havido para todos.

O conhecimento que produzem é fundamental para as novas gerações. O fenômeno do racismo hoje está dissecado; a mentira da democracia racial também; os dados e indicadores produzidos pelos institutos de pesquisa mais respeitáveis escancaram que há algo de errado com uma democracia que nos nega e com uma República que nos vira as costas.

Entretanto, os milhares de militantes e ativistas da Causa anti-racista presentes à Parada Negra disseram uma outra coisa, de uma forma nada sutil e com todas as forças: a nós só interessa, só nos é útil e necessário, o conhecimento que leva à ação. Melhor dizendo: estamos fartos de interpretar a sociedade profundamente discriminatória e o racismo, como se manifesta e os males que nos causa; chegou a hora de colocar abaixo este edifício de iniqüidades.

São Paulo, 27/11/2006
Dojival Vieira
Jornalista Responsável
Registro MtB: 12.884 - Proc. DRT 37.685/81
dojivalvieira@hotmail.com / abcsemracismo@hotmail.com

criado por Memória Lélia Gonzalez    22:33 — Arquivado em: Reflexão

A Importância do Negro

referência a pesquisadores/as negros/as norte-americanos/as

Essa é a história de um garoto chamado Theo que acordou um dia e perguntou a sua mãe: “Mãe, o que aconteceria se não existissem pessoas negras no mundo?”

Sua mãe pensou por um momento e então falou: “Filho, siga-me hoje e vamos ver como seria se não houvesse pessoas negras no mundo”. E, então, disse: “Agora vá se vestir e nós começaremos”.

Theo correu para seu quarto e colocou suas roupas e sapatos. Sua mãe deu uma olhada nele e disse: “Theo, onde estão seus sapatos? E suas roupas estão amassadas, filho, preciso passá-las”. Mas quando ela procurou pela tábua de passar, ela não estava mais lá. Veja, Sarah Boone, uma mulher negra, inventou a tábua de passar roupa. E Jan E. Matzelinger, um homem negro, inventou a máquina de colocar solas nos sapatos.

“Então… - ela falou - Por favor vá e faça algo em seu cabelo.” Theo decidiu apenas escovar seu cabelo, mas a escova havia desaparecido. Veja, Lydia O. Newman, uma mulher negra, inventou a escova. Ora, essa foi uma visão… nada de sapatos, roupas amassadas, cabelos desarrumados. Mesmo o cabelo da mãe, sem as invenções para cuidar do cabelo feitas por Madame C. J. Walker… Bem, vocês podem vislumbrar…

A mãe disse a Theo: “Vamos fazer nossos trabalhos domésticos e, então, iremos ao mercado”. A tarefa de Theo era varrer o chão. Ele varreu, varreu e varreu. Quando ele procurou pela pá de lixo, ela não estava lá. Lloyde P. Ray, um homem negro, inventou a pá de lixo.

Ele decidiu, então, esfregar o chão, mas o esfregão tinha desaparecido. Thomas W. Stewart, um homem negro, inventou o esfregão.

Theo gritou para sua mãe: “Não estou tendo nenhuma sorte!” Ela responde: “Bem, filho, deixe-me terminar de lavar estas roupas e prepararemos a lista do mercado”. Quando a lavagem estava finalizada, ela foi colocar as roupas na secadora, mas ela não estava lá. Acontece que George T. Samon, um homem negro, inventou a secadora de roupas.

A mãe pediu a Theo que pegasse papel e lápis para fazerem a lista do mercado. Theo correu para buscá-los, mas percebeu que a ponta do lápis estava quebrada. Bem… ele estava sem sorte, porque John Love, um homem negro, inventou o apontador de lápis.

A mãe procurou por uma caneta, mas ela não estava lá, porque William Purvis, um homem negro, inventou a caneta-tinteiro. Além disso, Lee Burridge inventou a máquina de datilografia e W. A. Lovette , a prensa de impressão avançada.

Theo e sua mãe decidiram, então, ir direto para o mercado. Ao abrir a porta, Theo percebeu que a grama estava muito alta. De fato, a máquina de cortar grama foi inventada por um homem negro, John Burr.

Eles se dirigiram para o carro, mas notaram que ele simplesmente não sairia do lugar. Isso porque Richard Spikes, um homem negro, inventou a mudança automática de marchas e Joseph Gammel inventou o sistema de supercarga para os motores de combustão interna. Eles perceberam que os poucos carros que estavam circulando, batiam uns contra os outros, pois não havia sinais de trânsito. Garret A. Morgan , um homem negro, foi o inventor do semáforo.

Estava ficando tarde e eles, então, caminharam para o mercado, pegaram suas compras e voltaram para casa. Quando eles iriam guardar o leite, os ovos e a manteiga, eles notaram que a geladeira havia desaparecido. É que John Standard, um homem negro, inventou a geladeira.

Colocaram, assim, as compras sobre o balcão. A essa hora Theo começou a sentir bastante frio. Sua mãe foi ligar o aquecimento. Acontece que Alice Parker, uma mulher negra, inventou a fornalha de aquecimento. Mesmo no verão eles não teriam sorte, pois Frederick Jones, um homem negro, inventou o ar condicionado.

Já era quase a hora em que o pai de Theo costumava chegar em casa. Ele normalmente voltava de ônibus. Não havia, porém, nenhum ônibus, pois seu precursor, o bonde elétrico, foi inventado por outro homem negro, Elbert R. Robinson .

Ele usualmente pegava o elevador para descer de seu escritório, no vigésimo andar do prédio, mas não havia nenhum elevador, porque um homem negro, Alexander Miles, foi o inventor do elevador.

Ele costumava deixar a correspondência do escritório em uma caixa de correio próxima ao seu trabalho, mas ela não estava mais lá, uma vez que foi Philip Downing, um homem negro, o inventor da caixa de correio para a colocação de cartas e William Berry inventou a máquina de carimbo e de cancelamento postal.

Theo e sua mãe sentaram-se na mesa da cozinha com as mãos na cabeça. Quando o pai chegou, perguntou-lhes: “Por que vocês estão sentados no escuro?”. A razão disso? Pois Lewis Howard Latimer, um homem negro, inventou o filamento de dentro da lâmpada elétrica.

Theo havia aprendido rapidamente como seria o mundo se não existissem as pessoas negras. Isso para não mencionar o caso de que pudesse ficar doente e necessitar de sangue. Charles Drew , um cientista negro, encontrou uma forma para preservar e estocar o sangue, o que o levou a implantar o primeiro banco de sangue do mundo.

E se um membro da família precisasse de uma cirurgia cardíaca? Isso não seria possível sem o Dr. Daniel Hale Williams, um médico negro, que executou a primeira cirurgia aberta de coração.

Então, se você um dia imaginar como Theo, onde estaríamos agora sem os Negros? Bem, é relativamente fácil de ver.

recebido de Deise Benedito, na lista de interação “Mulheres Negras” - mulheresnegras@yahoogrupos.com.br, em 1 de dezembro de 2006 - sem referência.
Em pesquisa no Google encontramos 2 links com referência para “Moacir O rebelde”.
Vale ressaltar que alguns cientistas já faziam parte de nossas referências.  A conferência dos demais nomes indicados mostrou-se verdadeira.

criado por Memória Lélia Gonzalez    22:05 — Arquivado em: Dignidade

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