Memória Lélia Gonzalez Informa

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29.11.06

Direitos Humanos e Assistência Social

A Coordenação Executiva do Fórum Permanente de Direitos Humanos – FOPEDH/RJ, dando continuidade à renovação de diálogos e interações entre parceiros, colaboradores e militantes da luta em defesa e promoção dos direitos humanos, convida para o Seminário:

"Direitos Humanos e Assistência Social"

Expositoras:
Sra. Marlise Vinagre – Vice Presidente do CRESS/RJ
Sra. Margareth Alves Dallaruvera - Presidente do Sindicato de Serviço Social/RJ

Debatedora:
Sra. Martha Britto – Assistente Soci al

Dia 08 de dezembro de 2006, sexta-feira, das 14 às 17 h.
Rua México, 41/12º andar – Centro/RJ

Informações e Inscrições através dos telefones: (21) 2551-6107 ou (21) 9872-6122
ou e-mails: fopedh@gmail.com ou movimentopelavida@mpv.com.br  

Carmelita Lopes
HUMANITAS/ FOPEDH
Direitos Humanos e Cidadania
www.humanitasdh.org.br

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Em nome da laicidade do Estado

FÁTIMA OLIVEIRA*
O TEMPO - Quarta-feira, 29 de Novembro de 2006, 00h01

O papa Bento XVI estará no Brasil entre 9 e 13 de maio de 2007, ocasião em que fará a abertura da V Conferência Geral do Episcopado Latino- Americano e do Caribe (Celam) e celebrará uma missa no santuário de Aparecida do Norte, dia 13 de maio. Há notícias de que também visitará São Paulo.

A Igreja Católica acelera os preparativos da recepção ao papa. O governo federal também. A Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade (Secad), do Ministério da Educação, convocou um seminário para os dias 4 e 5 de dezembro próximo. Será para discutir “temas ligados à diversidade e à inclusão educacional”, mas é certo que o referido evento abordará “os desafios do ensino religioso como área do conhecimento no contexto escolar” .

Cabe relembrar que o Brasil é um Estado laico e que o ensino religioso não é obrigatório nas escolas. Apenas está previsto de forma facultativa na Constituição de 1988 e na Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB).

Porém, chama a atenção uma declaração do secretário da Secad, Ricardo Henriques, para justificar o evento: “Queremos aproveitar o ambiente rico da educação para tentar fazer com que as várias visões de mundo conversem.

O ensino religioso, a partir de uma visão ecumênica, tem a potencialidade de discutir a tolerância e o pluralismo”. Definitivamente, não é papel da Secad definir conteúdos para o ensino religioso. Jamais foi. Soa estranho, porque é estranho. Pode a Secad se meter numa seara que não é a sua?

Ao definir conteúdos para o ensino religioso, embora não possa, a Secad acabará criando uma orientação nacional para a área, com ares de obrigatoriedade. Não custa nada conferir as explicações do governo com um relato que coloca na berlinda as justificativas dadas. Falo do artigo “Ameaça ao Estado laico”, de Roseli Fischmann, professora do Programa de Pós-Graduação em Educação da USP e expert da Unesco para a Coalizão Internacional de Cidades contra o Racismo e a Discriminação (“Folha de S. Paulo”, 14/11/2006).

Fischmann afirma que, em setembro, no Rio, em uma sessão do 6º Colóquio do Consórcio Latino- Americano de Liberdade Religiosa (éramos só três acadêmicos não-católicos), apresentara seu protesto frente à exposição de estudo comparativo de legislação sobre matrimônio na América Latina em que o Brasil fora apresentado como juridicamente católico, sendo suprimido dos Estados laicos por pesquisadora católica do Chile.

Um senhor que se apresentou então como advogado da CNBB e da Nunciatura Apostólica, disse que estariam quase totalmente prontos os termos de uma concordata entre o Vaticano e o Brasil. É sabido, por exemplo, que esse tipo de acordo para definir cooperação entre o Vaticano e outros Estados foi assinado por Hitler e Mussolini.

Afirmou ainda o advogado que a concordata seria “completa, com repercussões legais, políticas, administrativas, tributárias e financeiras”, e que a decisão do papa de vir ao Brasil estaria ligada a isso. Deu para captar a sutileza da trama que está sendo urdida? A “concordata” entre dois chefes de Estado (o Vaticano é um Estado, cujo chefe é o papa!) é um acordo de cooperação bilateral – prerrogativa de chefes de Estados, que vai ao Congresso Nacional apenas para ratificação.

A Igreja Católica Apostólica Romana é a única religião que possui seu próprio território legal e de lá lança seus tentáculos para o mundo, se dando ao luxo de ora falar como religião, ora como Estado, segundo suas conveniências. Cabe à sociedade civil organizada, em nome da defesa do Estado laico, exigir do presidente Lula as explicações detalhadas sobre o assunto que, tudo indica, ameaça a laicidade do Brasil, pois a um presidente não é permitido fazer cortesia com o chapéu alheio.

*Médica

fonte: http://www.otempo.com.br/opiniao/lerMateria/?idMateria=73518

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Portal do Sistema Brasileiro de Museus

Resultado de uma parceria entre os Ministérios da Cultura do Brasil e da Espanha e a Organização dos Estados Ibero-Americanos (OEI) e coordenado pelo Departamento de Museus e Centros Culturais do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Demu/Iphan), foi lançado quarta-feira (29 de novembro) o portal do Sistema Brasileiro de Museus  - www.museus.gov.br

O site funcionará como uma rede ampla e diversificada de parceiros, que contribuirá para a comunicação entre os museus, sistemas e redes locais, escolas, universidades e entidades que atuam no campo museológico.

O Portal abrigará o Cadastro Nacional de Museus, os relatórios do Observatório de Museus, as legislações da área, informações sobre eventos e oficinas, dentre outros assuntos de interesse do setor. Outras informações: (61) 3414-6234 e demu@iphan.gov.br

recebido de nordeste@minc.gov.br

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Plano Distrital para a Igualdade

Brasília tem Plano Distrital para a Igualdade entre negros e brancos

Por Oscar Henrique Cardoso

 

Brasília - Garantir a cidadania para a população negra, com ênfase na valorização das manifestações culturais, combate à intolerância religiosa, aplicação da Lei 10.639 na rede pública de ensino e desenvolvimento sócio-econômico para os afrodescendentes são as principais propostas do Plano Distrital de Promoção da Igualdade Racial. Lançado pela Secretaria de Ação Social e elaborado em parceria com o Conselho de Defesa dos Direitos do Negro (CDDN), o plano prevê também a realização de seminários sobre a mulher negra no Brasil e iniciativas conjuntas para minimizar a violência sofrida por negros de todo o Brasil, em especial no Distrito Federal. Pesquisa realizada pela Organização dos Estados Ibero-Americanos para a Educação, Ciência e Cultura indica que dos 374 assassinatos registrados na faixa etária de 15 a 24 anos em 2004, no Distrito Federal, 318 mortos eram negros. O lançamento oficial, realizado no último dia 17 de novembro, reuniu lideranças do movimento negro candango e representantes governamentais em evento promovido no auditório do Conjunto Nacional. A titular da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, ministra Matilde Ribeiro, participou do evento, o qual reuniu mostras artísticas, degustação de comidas africanas, painéis e plenárias.

A presidente do CDDN, Tereza Ferreira da Silva, aponta que o Plano Distrital de Promoção da Igualdade Racial legitima o trabalho implantado pelo conselho no atual governo local. Tereza da Silva lembra que inúmeras iniciativas foram realizadas pelo Conselho do Negro para minimizar os quadros de miséria, violência e exclusão racial no Distrito Federal. “Conseguimos que o tema Direitos do Negro fosse incluído no curso de formação de oficiais da Polícia Militar e também nos cursos de qualificação profissional da Polícia Civil”, comemora Tereza da Silva.De acordo com dados oficiais, 49,2% dos mais de 2 milhões de habitantes do DF se declaram negros.

Se a violência também é uma realidade negativa presente junto a população negra do DF, um ponto positivo é apontado por Tereza da Silva. O Conselho do Negro se empenhou em promover eventos e oficinas para qualificar os trabalhadores, através de convênios com o Ministério do Trabalho e Emprego. Nos próximos dias, integrantes da Secretaria de Ação Social e do Conselho do Negro irão se reunir com o novo governador do DF, José Roberto Arruda. A pauta da reunião será obter a garantia de implantação do plano no Distrito Federal. “Os recursos para viabilizar o plano já estão garantidos no nosso plano plurianual para o ano que vem. O que precisamos é sensibilizar ao novo governo para continuar desenvolvendo novas ações para uma melhor inclusão da população negra no Distrito Federal”, concluiu Tereza da Silva.

fonte Informe Palmares

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28.11.06

Cúpula América do Sul e África

América do Sul e África realizam sua primeira cúpula na Nigéria
Domingo, 26 de novembro de 2006, 14h27

Para o evento, o fotógrafo Januário Garcia (MN-RJ) preparou exposição identificando cidadãos, comunidades e quilombos da diáspora africana na América Latina. O trabalho é similar ao que foi apresentado no Rio, em Brasília e, em Salvador, na II CIAD, com fotos de brasileiros/as, exclusivamente.

O desdobramento da exposição é a publicação de um livro com textos de Júlio César Tavares (MN – Rio de Janeiro; UFF-RJ) e arte de Luiz Carlos Gá (MN-RJ). 

                                                                   
A América do Sul e África realizam a partir de quinta-feira (30 de novembro) a primeira cúpula entre os dois continentes na capital da Nigéria, um passo importante para impulsionar a cooperação Sul-Sul.

Este encontro inédito contará com a presença dos presidentes ou ministros dos 12 países da Comunidade Sul-Americana de Nações (CSN) e dos 53 estados-membros da União Africana (UA), entre os quais se encontram os mais pobres do mundo, e também vários emergentes como Brasil e África do Sul.

Os promotores desta primeira reunião bicontinental de alto nível são o Brasil e a Nigéria, que a elaboraram em Abuja durante a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em abril de 2005, e por ocasião da viagem a Brasília de seu colega nigeriano, Olosegun Obasanjo, em setembro desse ano.

“A cúpula foi concebida como um verdadeiro instrumento para unir os países da África e da América do Sul numa relação que beneficie mutuamente o âmbito da cooperação Sul-Sul”, explicam os organizadores.

O evento acontece depois de vários encontros que demonstraram o crescente interesse das regiões em desenvolvimento e emergentes em ampliar seus mercados em nível internacional.

Um deles foi o Foro de Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (Apec), no qual vários países latinos da costa pacífica reforçam cada vez mais suas relações, principalmente econômicas.

Na zona atlântica, o interesse mútuo da África e América Latina vem sendo demonstrado há alguns anos com inúmeras viagens de presidentes de ambos os lados do oceano, como foi o caso das cinco visitas que Lula realizou desde que ocupou a presidência, em 2003.

Outros eventos que ajudaram na concretização deste encontro são a cúpula árabe-sul-americana de 2005 e a segunda conferência de intelectuais da África e da diáspora em Salvador, Bahia.

Na declaração que adotarão ao final da cúpula, as partes repassarão os diferentes âmbitos onde espera reforçar a cooperação, não apenas econômica, como também política e cultural.
A cúpula é precedida por uma reunião de organizações não-governamentais (ONG), realizada ontem (sábado), um encontro de ministros de Comércio que acontece neste domingo, e de chanceleres, marcado para os dias 28 e 29 para concluir a declaração final da cúpula.

Entre outras coisas, africanos e sul-americanos querem desenvolver ainda mais o comércio Sul-Sul”, criar um Banco Africano-Sul-americano e afinar posições na Rodada de Doha de liberalização comercial da Organização Mundial do Comércio (OMC), atualmente em ponto morto.

Inicialmente o encontro presidencial duraria dois dias, mas foi encurtado para um, pois muitos dirigentes sul-americanos viajam ao México para a posse do novo presidente, Felipe Calderón, em 1º de dezembro. Do lado sul-americano, em princípio, assistirão à cúpula os presidentes Brasil, Chile e Paraguai e os chanceleres da Argentina, Uruguai e Colômbia. A próxima cúpula, que será celebrada a cada três anos, acontecerá na Venezuela, em 2009.

esb/cn-lm AFP 261352 NOV 06
AFP
fonte: http://noticias.terra.com.br/interna/0,,OI1269230-EI188,00.html  

para saber mais:
http://www.asasummit-abuja2006.org/  
http://www.asasummit-abuja2006.org/Home.htm

criado por Memória Lélia Gonzalez    13:47 — Arquivado em: Agenda, África

27.11.06

Rede Media Luna / Rede Meia Lua

Rede para integração das Associações Latino-americanas de apoio, atenção e defesa de direitos das pessoas com doenças falciformes e seus familiares.

A Federação Nacional da Associações de Doenças Falciformes, composta por 23 entidades de 12 Estados Brasileiros e em franco crescimento e que tem como missão: contribuir para a redução da morbimortalidade no Brasil e no mundo, vem comunicar a todos e todas um fato muito importante:

Entre os dias 17 e 18 de novembro de 2006, durante o I Fórum Latino Americano para Organizações de Apoio a Pacientes com Enfermidades Hematológicas, ocorrido em Buenos Aires, Argentina, foi criada a Rede Media Luna (Rede Meia Lua - em alusão à forma que a hemácia adquire quando a pessoa com anemia falciforme está em crise, ou conhecida também a forma como a de uma foice).

Esta rede visa a integração das Associações Latino-americanas de apoio, atenção e defesa de direitos das pessoas com doenças falciformes e seus familiares. Fazem parte;

1- Asociación Panameña para Prevención de la Anemia Falciforme (APPAF) - PANAMÁ
2- Asociación Venezoelana de Drepanocitosis y Talasemias (AVDT) - VENEZUELA
3- Fundación para la Investigación y Apoyo al Paciente con Drepanocitosis y otras Hemoglobinopatías (FUNDREPA) - COSTA RICA
4- Federação Nacional das Associações de Doenças Falciformes (FENAFAL) - BRASIL.

Não preciso elencar a importância de tal acontecimento e dividí-lo convosco é a forma de agradecer o apoio e refazer nossos laços e compromisso com as pessoas com anemia falciforme, no Brasil, na América Latina e no Mundo.

Abraços da Rede Media Luna,

Altair Lira
Presidente FENAFAL
(71) 8166-9986

informou Altair Lira - altairlira@salvador.ba.gov.br  

criado por Memória Lélia Gonzalez    21:55 — Arquivado em: Dignidade, Saúde

Racismo, mal que hospital decidiu combater

Bonsucesso é primeira unidade do Rio a treinar funcionários para não discriminar pacientes por causa da cor

Maria Elisa Alves Os sintomas não são muito evidentes e o tratamento ainda é polêmico, mas o Hospital Geral de Bonsucesso (HGB) resolveu combater um mal que pode estar afetando a unidade: o racismo.

Embora não tenha ainda dados concretos sobre a discriminação racial em suas dependências, o HGB — afinado com o ministro da Saúde, Agenor Álvares, que há um mês declarou que o Sistema Único de Saúde (SUS) é racista— está, numa iniciativa pioneira no Rio, treinando seus funcionários para tratar todos os pacientes de forma igual, independentemente da cor da pele.

— Todo mundo diz que não há racismo no hospital e, realmente, nenhum paciente branco será atendido antes de um negro que esteja com os mesmos problemas de saúde. A discriminação é bem mais sutil — diz Valcler Rangel, diretor interino do HGB e, ele mesmo, exemplo de como o racismo pode se manifestar por vias tortas.

— Costumo usar terno e quem não me conhece no hospital logo pergunta se sou pastor. Não passa pela cabeça de ninguém que eu, pardo, seja médico.

Além de combater o “racismo institucional”, o HGB agora exige que todo paciente declare sua cor ao ser atendido. Com os dados, a direção, que já descobriu que 85% dos baleados são negros, vai avaliar não só se eles demoram mais a conseguir consultas ambulatoriais, mas também a prevalência de determinadas doenças nessa faixa da população. O objetivo inicial é saber se a mortalidade infantil e materna no HGB é mais alta entre negros, que, na prática, têm recebido mais atenção: — As gestantes negras estão sendo olhadas sob outro prisma porque os dados mostram que elas, além de mais chances de ser hipertensas, têm menos acesso a consultas de pré-natal — diz Valcler As mudanças foram aprovadas por Ana Cristina Lobo, que teve Ryan na terça-feira: — Quis vir para cá porque sabia que seria bem atendida.

Em 2007, o HGB quer atender uma comunidade quilombola. E conseguir um pai-de-santo: — Já temos padre, pastor, budistas, espíritas, mas ninguém que atenda quem segue a umbanda — diz Valcler.

fonte: O Globo Online, 26.11.2006

recebido de Marcos Romao - romao@gmx.net  

criado por Memória Lélia Gonzalez    20:39 — Arquivado em: Dignidade

26.11.06

Africanos na origem de Itajaí - SC

Documentos do século 19 enriquecem a historiografia local e desvelam um passado desconhecido da gênese de Itajaí

por José Isaías Venera


"O passado é cheio de vida e seu rosto irrita, revolta, fere, a ponto de querermos destruí-lo ou pintá-lo de novo." Milan Kundera, escritor tcheco e conterrâneo do literato Franz Kafka, cria suas histórias como se fossem espelhos de uma constante luta contra o poder no interior das relações sociais. Em “O livro do Riso e do Esquecimento”, Kundera diz que "a luta do homem contra o poder é a luta da memória contra o esquecimento". Luta imanente à função dos museus e arquivos históricos. Espaços de resistência ao esquecimento.

Obstinado na luta pela inclusão de novas memórias na história de Itajaí, José Bento Rosa da Silva, que coordenou o projeto "Memória dos Bairros" até julho de 2006, pesquisa nos acervos do Centro de Documentação e Memória Histórica, desde meados da década de 1990, pistas que o ajudam a interpretar o passado de afro-descendentes na região. Mas, além dos descendentes, o pesquisador identificou referências à presença de africanos, que cruzaram o oceano Atlântico, desde a gênese de Itajaí. A descoberta dá visibilidade a um passado que é ignorado em boa parte das narrativas históricas locais, mostrando que a preservação da memória pode ser exercida, também, pelos mais fracos, caracterizando-se como resistência a práticas seletivas de preservação de memórias que não levam em conta a diversidade étnica e cultural.

As primeiras descobertas

Em documentos do Cartório de Registro de Imóveis do século 19, as primeiras descobertas: indicação da presença de africanos em Itajaí. Nessa época, os afro-descendentes e africanos eram considerados como imóveis que poderiam ser vendidos e comprados a qualquer momento. O professor explica que, quando se vendia ou se trocava escravos, era feita, também, uma avaliação da "mercadoria". No caso de escravos, aparecem nos registros a idade, o estado civil, as qualidades, os defeitos (achaques) e a origem. Foi observando a indicação da origem que o historiador descobriu que "na nossa região tinham escravos vindos de países da África. Falava-se só em crioulos, mas os documentos nos mostram que havia, também, os escravos africanos".

Bento comenta que, na historiografia catarinense, há referências somente à existência, no passado, de africanos em Florianópolis, São Francisco do Sul e Laguna. Agora, com a sua pesquisa, há a presença de africanos na região de Itajaí.

Caminhos da pesquisa

Em 2002, Bento foi cavoucar documentos empoeirados no sótão do Fórum de Itajaí e que, em 2003, integraram os acervos do Centro de Documentação. São processos cíveis e criminais, do século 19 e 20, com referências a africanos que moravam em Itajaí.

A pesquisa altera o curso da historiografia catarinense. Segundo o professor, nos trabalhos de história de Santa Catarina, há um silêncio sobre a presença de africanos no Estado. A ênfase é dada sempre para os crioulos - descendentes de africanos nascidos no Brasil.

Na história regional, o problema se agrava. Enquanto o pesquisador vem dando visibilidade a esses documentos - publicando artigos científicos e livros -, boa parte dos trabalhos de valor histórico se resume a discorrer sobre os afro-descendentes na condição de escravos, propagando sua invisibilidade de uma participação construtiva na história e na cultura da Itajaí. Livros como "A Pequena Pátria", de Marcos Konder, "Pequena história de Itajaí", de Edison d´Ávila, e "Famílias de Itajaí: mais de um século de história", de Marlene Rothbarth e Lindinalva Deólla, são exemplos de trabalhos que ignoram a participação de afro-descendentes e desconhecem a presença de africanos na origem histórica de Itajaí.

Para o professor, a ênfase dada somente à condição de escravos aos afro-descendentes produz o esquecimento de peculiaridades culturais desses grupos étnicos. É nesse cenário de embate étnico e de classe que o trabalho do professor ganha mais importância. Bento mora em Itajaí desde meados dos anos 80, quando deixou o seminário em Brusque e veio cursar graduação em História na Univali. Hoje, doutor em História, Bento tem Itajaí como sua cidade.

Uma nova história da origem de Itajaí

Com as pesquisas do professor Bento, desde a emancipação de Itajaí, em 1860, africanos e afro-descendentes estavam presentes no cotidiano da vila. Documentos jurídicos, religiosos e da câmara legislativa dão mais do que visibilidade à existência desses grupos étnicos: indicam sociabilidades oriundas do continente africano. O historiador comenta que, investigando esses documentos, alguns nomes de africanos foram identificados: Rafael, da nação africana; João e Manoel, de nação Congo; Antônio, Felipa, Joaquim e Manoel, de nação; Maria, de nação Benguela; Antônio, de nação Monjolo; Antônio, africano. A expressão "de nação" era uma forma de denominar os africanos no Brasil.

Os registros indicam, além da forte presença de africanos já no surgimento de Itajaí, suas profissões, quando eles eram submetidos à condição de escravos. Eram marinheiros, pedreiros, carpinteiros e trabalhadores da lavoura. Para o Jesuíta Antonil, eles eram as mãos e os pés dos senhores. Um exemplo é o pedreiro Simeão, escravo de Agostinho Alves Ramos, que, em 1835, construiu a primeira igreja de pedra e cal de Itajaí. Hoje, algumas paredes da edificação, construídas pelas mãos do descendente de africanos que, provavelmente, herdou a profissão de seus antepassados,
é parte da Igreja da Imaculada Conceição.
………………………………
continua em…
fonte integral: http://fgml.itajai.sc.gov.br/noticiasp_det.php?id_noticia=4820  

Fonte: Fundação Genésio Miranda Lins (FGML)
Fone: 3348-1886 / Texto: José Isaías Venera
Data: 20/09/2006 / Título: Pesquisa revela uma outra história de Itajaí

Fonte: José Bento Rosa da Silva - e-mail: bentons@terra.com.br  / negrobento@bol.com.br  

recebido
de humberto@adami.adv.br  / 13 out. 2006

criado por Memória Lélia Gonzalez    21:30 — Arquivado em: Estudos e Pesquisas

20.11.06

Araras - SP - Consciência Negra 2006

                                                                          
Conselho Municipal de Participação e Desenvolvimento da Comunidade Negra – Araras-SP

Consciência Negra 2006
Araras - SP
de 27 de novembro á 03 de dezembro

Exposição 01 - Abertura
horário 20 horas
data - 27 de nov. a 03 de dez
local – Casa da Cultura - Salão Nobre
Título “QUERO SER STIVE WONDER”

Fotografias de Renato Canto (Nato) de Mogi Mirim – Fotos 30×40, confeccionadas em papel Inglês.

Retratam artistas negros, que exibem performance, beleza negra e sensibilidade do corpo negro. Adereços do artista plástico Gustavo Muller, integram as fotos.

21 hs - Espalo Zé Sebinho (Quintal da Cultura)
Exibição do Filme “AS FILHAS DO VENTO” com Ruth de Souza, Taís Araújo, Maria Ceiça, Milton Gonçalves, Zózimo Bubul e outros. Filme que retrata a saga de uma família negra, composta em sua maioria por mulheres negras, responsáveis no enfrentamento para incluírem-se, profissionalmente, socialmente e economicamente, apesar de suas limitações relativas à origem, como pessoas de uma cidade do interior.

Exposição02
local - Casarão da Cultura Sala 03 (obs.: Calçadão)
Título “SONHO”

O Expositor é o “INDIO” KAUMI KARERE que fotografa em Piracicaba, cidade onde vive, o Brasil Cultural que ele sonha, através de todas as características que marcam a miscigenação na formação do povo brasileiro, fato idealizador da igualdade social, através da arte de juntar gerações e etnias, no reconhecimento e respeito às diferenças culturais dos povos construtores da sociedade brasileira.

recebido de Quilombo - quilomboararas@uol.com.br

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Ação da Cidadania em campanha por livros

Doação de livros integra campanha

A Ação da Cidadania, que há 13 anos faz campanha de arrecadação e distribuição de alimentos, lançou, em 13 de novembro, a campanha Natal sem Fome dos Sonhos
http://acaodacidadania.infolink.com.br/templates/acao/novo/campanha_natal2006.asp  - que passa a coletar brinquedos e livros - numa tentativa de sanar a carência de cultura e educação dos jovens de baixa renda.

Os livros serão divididos entre bibliotecas populares e itinerantes, e os brinquedos, doados no Natal.

fonte Boletim do PNLL - 13 a 19/11/2006
visite o site do Plano Nacional do Livro e Literatura - http://www.pnll.gov.br/

criado por Memória Lélia Gonzalez    17:52 — Arquivado em: Educação

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